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Influenciadora ligada à máfia italiana teria tido a morte avaliada em € 250 mil após traição, diz PF

há 1 hora
3 min de leitura


Reprodução Redes Sociais
Reprodução Redes Sociais



A influenciadora digital Paula Simões Assisi teria sido ameaçada por integrantes da máfia italiana 'Ndrangheta, que teriam avaliado sua “cabeça” em 250 mil euros, aproximadamente R$ 1,4 milhão. Segundo a investigação da Polícia Federal (PF), as ameaças teriam ocorrido depois que integrantes da organização criminosa descobriram o relacionamento extraconjugal entre Paula e o advogado Patrick Raasch Cardoso.

De acordo com os investigadores, a relação teria acontecido entre 2019 e 2023. A cúpula da organização criminosa teria demonstrado insatisfação com o envolvimento dos dois, especialmente porque Paula estaria usufruindo de viagens e de um padrão de vida luxuoso que, segundo a apuração, seria financiado com recursos provenientes do narcotráfico.

A investigação aponta que os integrantes da máfia também teriam pressionado Paula a se afastar do advogado. Segundo a PF, eles teriam advertido que a logística do tráfico poderia sofrer retaliações caso ela não encerrasse o relacionamento. Além disso, a influenciadora teria sido pressionada a quitar dívidas relacionadas a carregamentos de cocaína que já haviam sido enviados ao exterior.

Até a publicação da reportagem, não havia sido localizada a manifestação das defesas dos envolvidos sobre essas informações específicas.

Paula teria assumido operações após prisões na família

O caso está relacionado à investigação sobre a atuação de Paula em um esquema de tráfico internacional de cocaína ligado à 'Ndrangheta, organização criminosa originária da região da Calábria, no sul da Itália.

O marido da influenciadora, Patrick Assisi, e o sogro dela, Nicola Assisi, foram presos em julho de 2019, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Ambos são apontados pelas autoridades como integrantes da organização criminosa.

Segundo a Polícia Federal, depois dessas prisões, Paula teria assumido funções na coordenação das atividades relacionadas ao tráfico de cocaína no Brasil. Os investigadores a descreveram como uma espécie de “herdeira operacional” do esquema, por supostamente dar continuidade a parte das operações anteriormente conduzidas pelos familiares.

A apuração identificou conversas realizadas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021 por meio do SkyECC, aplicativo de mensagens criptografadas utilizado por suspeitos. Conforme os investigadores, Paula usava o codinome “Chanel” nas comunicações.

A PF afirma que a influenciadora intermediava contatos entre fornecedores sul-americanos e investidores europeus, além de participar da coordenação de carregamentos de cocaína destinados ao exterior e da movimentação financeira da organização.

Investigação aponta ligação com advogado de Santos

Patrick Raasch Cardoso, advogado que atua em Santos, também é investigado por suspeita de participação no esquema. Segundo a Polícia Federal, ele teria intermediado contatos com traficantes internacionais ligados à máfia italiana e, posteriormente, participado da coordenação de remessas de drogas.

A investigação também atribui ao advogado possível participação em operações destinadas a ocultar ou dissimular recursos financeiros. Entre os elementos apurados estão supostas locações dissimuladas, a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 1,6 milhão e o uso de notas fiscais consideradas falsas pelos investigadores.

Outro ponto da apuração envolve a suspeita de que Cardoso teria intermediado contatos com Elton Leonel Rumich da Silva, conhecido como Galã, apontado pelas autoridades como uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraguai. Ele está preso na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Segundo a PF, o advogado teria utilizado sua condição profissional para transmitir mensagens entre pessoas presas e integrantes da rede que permaneciam em liberdade. Para os investigadores, os indícios apontam que as operações teriam envolvido conexões entre integrantes da 'Ndrangheta e pessoas ligadas ao PCC.

Movimentação de mais de US$ 6 milhões

A investigação também identificou suspeitas de movimentação de mais de US$ 6 milhões entre 2020 e 2021 em operações atribuídas a Paula e ao doleiro Tharek Mourad Mourad, preso pela Polícia Federal em 2025.

Segundo a apuração, os recursos estariam relacionados às atividades do chamado “clã Assisi” e teriam sido movimentados por meio de um sistema ilícito conhecido como “dólar-cabo/token”.

Nesse mecanismo, o dinheiro é entregue a operadores financeiros em um país e disponibilizado em outro, sem que seja necessário realizar uma transferência internacional convencional. A liberação dos valores pode ocorrer mediante códigos ou mecanismos de validação, conforme o funcionamento descrito pelos investigadores.

A PF suspeita que o sistema tenha sido utilizado para financiar a compra de drogas, realizar repasses à máfia italiana e custear despesas pessoais. Entre as operações identificadas, os investigadores destacaram um pagamento de US$ 1,47 milhão relacionado a uma remessa de 300 quilos de cocaína.

As apurações buscam esclarecer o funcionamento da rede, o destino dos recursos movimentados e a responsabilidade de cada suspeito nas atividades investigadas. As informações sobre as supostas ameaças contra Paula fazem parte desse contexto, mas as acusações ainda dependem da apuração e da análise das autoridades judiciais.

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