Minas reduz mortes por hepatites e Ministério da Saúde lança campanha nacional de testagem
gazetadevarginhasi
17 de jul. de 2025
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Divulgação
Durante o Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as hepatites virais, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Um teste pode mudar tudo”, que reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento. De acordo com o novo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, Minas Gerais apresentou redução de 70% nos óbitos por hepatite C entre 2014 e 2024 — de 116 para 34 mortes. Já os óbitos por hepatite B caíram 28,9% no estado, passando de 38 para 27 no mesmo período.
Apesar da queda significativa na mortalidade, o Ministério da Saúde alerta para a necessidade de ampliar o acesso aos testes e aumentar a adesão aos tratamentos, especialmente nos casos de hepatite B. “O Brasil conta com o maior e mais abrangente sistema público de vacinação, com oferta de terapias e testagem. Desde a adoção dos testes rápidos no SUS, avançamos no enfrentamento das hepatites virais. Por isso, quero reforçar: temos vacinas, testes e orientações claras disponíveis. O diagnóstico precoce é essencial”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
No país, entre 2014 e 2024, os óbitos por hepatite B caíram 50%, com coeficiente de mortalidade de 0,1 por 100 mil habitantes. Para a hepatite C, a redução foi de 60%, com coeficiente de 0,4 óbito por 100 mil habitantes. Os dados se aproximam da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê reduzir em 65% os óbitos por hepatites B e C até 2030.
Entre crianças com menos de 10 anos, os casos de hepatite A tiveram queda de 99,9%. Já os casos de transmissão vertical da hepatite B diminuíram 55% em gestantes e 38% em menores de cinco anos. Em 2024, o Brasil registrou 11.166 novos casos de hepatite B e 19.343 de hepatite C.
Segundo a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Simão, os dados demonstram que o país está no caminho certo. “A hepatite B ainda não tem cura, mas pode ser controlada com a vacina, que é segura, eficaz e ofertada gratuitamente pelo SUS. As vacinas do Brasil são certificadas pela Anvisa e têm eficácia comprovada”, disse.
O boletim foi lançado junto a uma nova plataforma de monitoramento, que permitirá a estados e municípios saber quantas pessoas foram diagnosticadas com hepatites B e C, quantas iniciaram tratamento e qual o tempo médio de acompanhamento. Inspirada na experiência da resposta ao HIV no Brasil, a iniciativa deve facilitar a busca ativa de pacientes e a adequação das estratégias regionais.
Dados de 2024 apontam que 115,3 mil pessoas foram indicadas para tratamento da hepatite B, das quais 58,8 mil iniciaram acompanhamento e 14,8 mil interromperam. Em Minas Gerais, 6.168 pessoas foram indicadas ao tratamento e 2.592 começaram a terapia. No caso da hepatite C, foram 12,5 mil indicações de tratamento no país, com 9,1 mil pacientes já em cuidado. Em Minas, 905 pessoas receberam a indicação e 686 iniciaram o tratamento.
Com a nova ferramenta, o Ministério da Saúde quer dobrar o número de pessoas em tratamento para hepatite B, alcançando a meta da OMS de 80% de cobertura. O monitoramento contínuo também ajudará os gestores a desenvolver estratégias adequadas à realidade de cada região e a enfrentar a baixa procura por tratamento, ampliando o acesso em tempo oportuno.
A campanha “Um teste pode mudar tudo” busca mobilizar a população para a importância da prevenção, diagnóstico precoce e início imediato do tratamento. A testagem está disponível gratuitamente pelo SUS e pode ser feita com testes rápidos ou laboratoriais, conforme recomendação. A população com mais de 20 anos deve realizar o teste pelo menos uma vez na vida. Os exames estão acessíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O SUS também oferta gratuitamente medicamentos para tratar a hepatite B, como a alfapeginterferona, o tenofovir desoproxila (TDF), o entecavir e o tenofovir alafenamida (TAF). Para hepatite C, o tratamento é feito com antivirais de ação direta (DAA), que garantem taxas de cura superiores a 95%.
A vacinação continua sendo a principal medida preventiva. Contra hepatite A, a vacina é aplicada em dose única aos 15 meses de idade. Para pessoas acima de um ano com condições clínicas especiais, são aplicadas duas doses, nos CRIE. Já a vacina contra a hepatite B segue esquema de quatro doses: ao nascer (isolada) e aos 2, 4 e 6 meses (pentavalente). Para adultos não vacinados, recomenda-se três doses.
Outras medidas preventivas incluem o uso de preservativos, higienização das mãos e não compartilhamento de objetos que possam ter contato com sangue. O SUS distribui gratuitamente vacinas, preservativos e testes rápidos em todo o território nacional.
A vacina contra hepatite A passou a ser ofertada pelo SUS em 2014. Desde então, os casos da doença reduziram em 93%, caindo de 6.261 em 2013 para 437 em 2021, considerando todas as faixas etárias. Entre crianças, os números despencaram: de 2013 a 2023, houve redução de 97,3% nos casos em menores de 5 anos e de 99,1% entre 5 e 9 anos.
O Ministério da Saúde também lançou o Guia de Eliminação das Hepatites Virais, com orientações para gestores estaduais e municipais sobre prevenção e erradicação da doença. O guia prevê ainda a concessão de selos de reconhecimento, nas categorias Ouro, Prata e Bronze. Até agora, 18 municípios já foram certificados.
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