Motociclistas pedem mais rigor contra roubos e apontam falhas do Judiciário em Minas
gazetadevarginhasi
8 de jul. de 2025
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Divulgação -Foto: Gabriel Nascimento
Motociclistas cobram endurecimento contra roubos e criticam impunidade em Minas Gerais.
Representantes de clubes de motociclistas fizeram um apelo público na segunda-feira (7/7), durante audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), para que o poder público adote medidas mais firmes no combate ao crescente número de furtos e roubos de motocicletas no estado. O encontro foi convocado pela Comissão de Segurança Pública, presidida pelo deputado Sargento Rodrigues (PL), e contou com a presença de representantes das Polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal.
Durante a reunião, os motociclistas destacaram o aumento alarmante dos crimes envolvendo motos de alta cilindrada. Em 2024, foram registrados 38 casos; em 2025, o número já chegou a 150, um crescimento de mais de 290%. Marcelo Alvarenga do Carmo, do movimento SOS Motos, lamentou a ausência de representantes do Judiciário e do Ministério Público, criticando a reincidência de criminosos. “É sempre o mesmo ‘prende e solta’. A polícia prende e o Judiciário solta. Isso desestimula”, afirmou.
Os motociclistas também defenderam mudanças na legislação, o uso de tecnologias como rastreadores e reconhecimento eletrônico de peças, além de mais rigor nas punições. Willian Travassos, do Moto Clube Bodes do Asfalto – Sede Pampulha, sugeriu o uso mais eficaz de câmeras de monitoramento e relatou que há indícios de entrada do crime organizado do Rio em Minas, principalmente em áreas vulneráveis de Belo Horizonte.
O deputado Sargento Rodrigues concordou e reforçou que a Favela Cabana do Pai Tomás, onde já atuou como policial, vive uma realidade distinta do passado, alertando para o crescimento da influência criminosa.
A coronel Daisy Ferrarezi Moura, da Polícia Militar, informou que 50% das operações do Batalhão de Trânsito em 2025 foram voltadas às motocicletas e destacou os avanços com o cercamento eletrônico. A PM também avalia a adoção de um software para identificação de peças. Já Hugo Arruda, da Polícia Civil, afirmou que há inquéritos em andamento sobre crimes relacionados a motos de luxo e que os mercados receptadores estão fora de Minas Gerais.
Marcelo Viana, da Polícia Rodoviária Federal, detalhou a atuação da corporação, com destaque para sistemas como o Alerta Brasil e o Sinal PRF. Até junho, mais de 2 mil veículos foram recuperados, sendo 400 motocicletas, muitas delas a caminho de áreas de fronteira.
Por fim, Sargento Rodrigues anunciou o envio de notas taquigráficas da audiência ao TJMG e ao STJ, pedindo providências. Ele também solicitou mais operações conjuntas entre as forças de segurança, fiscalização de ferros-velhos e fechamento de estabelecimentos suspeitos de receptação em BH e região.
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