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Mulheres conquistam espaço e fortalecem a produção de cafés especiais no Sul de Minas

  • há 5 horas
  • 2 min de leitura

Reprodução
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O café ajudou a construir parte da história econômica do Brasil e encontrou no Sul de Minas um dos principais territórios de produção. Em Santa Rita do Sapucaí, produtores rurais transformaram conhecimentos passados entre gerações em cafés especiais que conquistaram consumidores de diferentes regiões e também impulsionaram o turismo de experiência.

Além da comercialização dos grãos, propriedades passaram a receber visitantes interessados em conhecer as etapas da produção, com visitas guiadas, acompanhamento do cultivo, processos de torra, degustações e, em algumas fazendas, hospedagem em meio às montanhas da Serra da Mantiqueira.

Nesse movimento, as mulheres ganharam protagonismo. A Associação Mulheres Empreendedoras do Café da Mantiqueira reúne cerca de 180 cafeicultoras da região, fortalecendo a participação feminina em um setor historicamente masculino.

Uma das pioneiras foi Marina de Castro. Na década de 1970, quando atuava na assistência social da Emater, ela percebeu que os homens recebiam orientações sobre as lavouras enquanto as mulheres permaneciam mais ligadas aos cuidados da casa. Marina passou então a aproximar os dois universos e incentivar a participação feminina na produção.

“Via meu colega ir para a lavoura e as mulheres ficavam em casa. Falei: ‘Gente, por que não juntar essas duas áreas?’. Fiz esse intercâmbio. As mulheres passaram a participar da lavoura e os homens também passaram a olhar para as melhorias da casa. Deu muito certo”, relembrou.

A iniciativa também ajudou a ampliar a autonomia financeira das produtoras. “Pedia para os maridos darem um talhãozinho de café para elas plantarem. Assim, elas vendiam aquela produção e tinham um dinheiro delas”, contou.

Em 1978, Marina também criou festivais gastronômicos que utilizavam o café em receitas doces e salgadas. A experiência deu origem ao livro “A delícia do café”, que reúne preparações criadas pelas produtoras.

“Fizemos picanha com sabor café, farofa, arroz-doce, doce de leite... Queria aumentar o consumo do café e mostrar que ele podia estar presente em toda a gastronomia”, afirmou.

Dessa trajetória nasceu o “Café da Chefa”, marca criada por Marina, Heloísa Inácio, Aline Guidi e Izabelle Carli, reunindo cafés especiais produzidos por mulheres da Mantiqueira de Minas.

Segundo Heloísa, o produto ainda possui grande potencial de utilização. “O café na xícara representa menos de 2% do potencial dele. Ainda temos 98% de possibilidades, seja na gastronomia, em outros alimentos ou até em produtos esportivos”, afirmou.

Além do café especial, a marca desenvolve produtos como pão de queijo, doce de leite e cachaça. As empreendedoras também buscam ampliar a presença no mercado nacional e internacional e priorizam a compra de cafés produzidos por outras mulheres.

Para Marina, a qualidade do café especial depende dos cuidados em todas as etapas da produção. “O café especial não nasce diferente. O que faz ele ser especial são os cuidados durante todo o processo. E é na torra que surgem as notas sensoriais, como chocolate, caramelo ou frutas. É ali que o café ganha identidade”, explicou.

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Gazeta de Varginha

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