Namorado teria mantido corpo de estudante trancado em quarto por quatro dias em SC, diz polícia
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O namorado de Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, teria mantido o corpo da estudante trancado em um quarto durante quatro dias após a morte da jovem, em Sangão, no Sul de Santa Catarina. Segundo o delegado Murilo Silveira da Cunha, responsável pela investigação, José Gustavo Rabelo, de 21 anos, também teria enviado mensagens pelo celular da vítima, fazendo com que familiares acreditassem que ela ainda estava viva. O caso é investigado como feminicídio.
De acordo com o relato apresentado pelo suspeito à Polícia Civil, uma discussão ocorreu entre a madrugada de quinta-feira (6) e a sexta-feira (7). O desentendimento teria começado depois que Joviana encontrou mensagens de outras mulheres no celular de José, em um período em que os dois haviam ficado separados. Conforme a versão apresentada à polícia, a jovem tentou deixar a residência do namorado depois da discussão, mas ele a teria seguido e aplicado um golpe conhecido como mata-leão, que teria provocado a morte.
Após o episódio, segundo o delegado, José teria colocado o corpo de Joviana sobre a cama e mantido a porta do quarto trancada. O suspeito morava com a mãe e a avó e afirmou aos investigadores que costumava manter aquele cômodo isolado do restante da residência. Ele teria permanecido na casa nos dias seguintes e só comunicado o ocorrido aos familiares na manhã de segunda-feira (10), quando o caso foi descoberto.
Durante o depoimento, Rabelo afirmou que passou a sexta-feira sob efeito de medicamentos controlados e que, no sábado (8), permaneceu alcoolizado. Segundo o delegado, o homem disse não saber precisar o que aconteceu em determinados momentos após a morte, mas confirmou que manteve o quarto fechado. A investigação ainda busca esclarecer as circunstâncias e a motivação do crime.
A descoberta aconteceu depois que a mãe de Joviana desconfiou das mensagens recebidas pelo celular da filha. A jovem não havia retornado para casa e, segundo a polícia, a forma como as mensagens eram respondidas chamou a atenção da família. A mãe acionou a Polícia Militar, que foi até a residência de José na segunda-feira. A porta de entrada estava aberta, enquanto a do quarto permanecia trancada e precisou ser arrombada. O corpo foi encontrado enrolado em cobertores.
Joviana era natural do Paraná e havia iniciado recentemente o curso de Ciências Biológicas na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), em Criciúma. Ela havia ingressado na graduação em 3 de agosto, apenas uma semana antes de ser encontrada morta. A universidade manifestou pesar pela morte da estudante, enquanto o Diretório Central dos Estudantes realizou uma manifestação em homenagem à jovem e contra a violência contra as mulheres.
José Gustavo Rabelo se apresentou à Polícia Civil na tarde de segunda-feira (10) e, segundo a corporação, confessou ter aplicado o golpe em Joviana. Ele foi preso inicialmente em flagrante por suspeita de feminicídio e, após audiência de custódia, teve a prisão preventiva determinada pela Justiça. O investigado foi encaminhado para uma unidade prisional em Tubarão. A defesa não havia sido localizada nas informações consultadas, e as investigações continuam para esclarecer completamente a autoria, a motivação e as circunstâncias da morte.
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