Nova campanha do MPMG expõe violências invisíveis contra mulheres em Minas
gazetadevarginhasi
5 de ago. de 2025
2 min de leitura
Divulgação - Fotos Eric Bezerra/MPMG
Campanha “A violência que os olhos não veem” alerta para agressões invisíveis contra mulheres em Minas Gerais.
Foi lançada nesta segunda-feira (4/8), no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, a campanha “A violência que os olhos não veem”, uma iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), por meio da Subsecretaria de Políticas para Mulheres (SubPDM). A proposta busca ampliar o enfrentamento à violência contra a mulher, com foco nas formas menos visíveis de agressão, como as violências psicológica, moral, patrimonial e sexual.
A campanha conta com vídeos voltados para redes sociais, além de folders, cartilhas e cartazes, que serão distribuídos a instituições do sistema de Justiça e Segurança Pública, bem como a organizações da sociedade civil. O objetivo central é reforçar que, embora nem toda violência deixe marcas aparentes, seus impactos são profundos e reais.
Um dos vídeos mais marcantes da campanha simula uma influenciadora digital que, em tom crítico e sarcástico, apresenta supostas “dicas” para esconder sinais de abuso. A narrativa é revertida ao final, provocando uma reflexão sobre a importância de romper o silêncio e buscar ajuda. Outro material chama atenção pela abordagem discreta: enquanto uma mulher ensina uma receita de patê de atum, as legendas do vídeo orientam sobre como denunciar casos de violência, de forma que o conteúdo possa ser assistido até mesmo na presença de agressores.
Durante o lançamento, a promotora Denise Guerzoni, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica (CAO-VD), destacou a importância de tornar visíveis os sinais de agressões silenciosas. “Quando se pensou na violência psicológica como carro-chefe da campanha, o sentido é encorajar as vítimas que estão sob humilhação, ridicularização ou isolamento. Esse tipo de comportamento do agressor é a antessala de um feminicídio consumado lá na frente”, pontuou.
A subsecretária Joana Coelho, da SubPDM, ressaltou que a iniciativa visa facilitar o acesso a canais de denúncia. “Através do site Emergência MG, a mulher vítima de violência consegue fazer a denúncia imediatamente. A ideia é justamente encorajar a denunciar, a falar a respeito, a contar para uma amiga próxima”, declarou à imprensa.
De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Minas Gerais registrou 153 mil casos de violência doméstica e familiar contra a mulher somente em 2024, o que equivale a cerca de 420 ocorrências diárias. No mesmo período, 161 mulheres foram vítimas de feminicídio, enquanto outras 248 sobreviveram a tentativas. Embora o número de feminicídios tenha caído 14% em relação a 2023, o aumento de 48% nas tentativas reforça a necessidade de intensificar estratégias preventivas.
A campanha também integra a rede de atendimento já existente, incluindo canais como Disque 181 e Disque 127, além dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher (Cream), de Assistência Social (Cras) e de Atendimento Especializado (Creas). Os materiais serão enviados a municípios interessados e a todas as promotorias de Justiça do estado ao longo do segundo semestre.
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