Novembro Azul: quem cuida das estradas também precisa cuidar da própria saúde
há 3 horas
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Todos os trabalhadores estão expostos a riscos ocupacionais em seu dia a dia. Alguns perigos são visíveis; outros passam despercebidos na correria, mas todos exigem atenção contínua quando o assunto é saúde e integridade física.
Neste mês, quando as campanhas do Novembro Azul reforçam a importância do cuidado masculino, nosso olhar se volta especialmente para o motorista profissional rodoviário. É ele quem vive a maior parte da rotina nas estradas, acompanha o amanhecer e o entardecer pelo retrovisor e enfrenta quilômetros de desafios climáticos e de tráfego para que insumos e mercadorias cheguem a todo o país.
Por trás de cada entrega pontual, existe uma pessoa que precisa de atenção. Dirigir profissionalmente não é só manusear um volante: envolve longas jornadas, permanência prolongada na mesma posição, pressão por prazos, noites longe da família e exposição contínua a perigos ocupacionais:
Físicos: ruído contínuo, vibração de corpo inteiro, oscilações térmicas e radiação solar direta.
Químicos: inalação de fumos, vapores de combustíveis, óleos, graxas e eventuais cargas perigosas.
Biológicos: contato com agentes patogênicos em banheiros públicos, postos de parada e refeitórios de uso coletivo.
Ergonômicos: postura estática prolongada, manuseio de carga, repetitividade e fadiga muscular.
Acidentes: colisões, tombamentos, quedas ao subir/descer da cabine e riscos de violência na pista.
Psicossociais: estresse por metas, privação de sono, isolamento e saudade da família.
A intensidade desses fatores varia com o tipo de carga, o trajeto e as condições do veículo. Por isso, a prevenção deve enxergar a realidade de cada cabine.
Mais do que lembrar da próstata, o Novembro Azul convida a olhar para o homem por inteiro. A vida no trecho muitas vezes empurra a alimentação desregulada, o sedentarismo e a procrastinação de exames preventivos. Cuidar do coração, da mente, da glicose e da qualidade das horas de descanso é tão urgente quanto a revisão mecânica do caminhão.
Para empresas e transportadoras, o dever é claro: respeitar tempos de repouso, organizar rotas humanizadas, fornecer os EPIs adequados (conforme a NR-06) e incentivar programas de saúde preventiva.
Fica a reflexão: de que adianta a carga chegar no horário se a saúde de quem dirige ficar pelo caminho?
Prevenir é a rota mais segura. Cuidar de si também é compromisso profissional.


*Cristiane Gomes é Instrutora, Especialista em Planejamento e Gestão de Trânsito, com formação em Pedagogia, Bacharelado em Administração e curso técnico em Segurança do Trabalho. Com ampla experiência nas áreas de educação para o trânsito, segurança ocupacional e treinamentos corporativos, é proprietária da R-Sarto Treinamentos, empresa especializada em capacitação profissional e desenvolvimento de programas preventivos. Atua como colunista da Gazeta de Varginha, abordando temas voltados à prevenção, mobilidade segura e cultura de segurança no trabalho.
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