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Novo estudo reforça que malária, e não assassinato, pode ter causado morte de casal da família Medici

  • há 8 minutos
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Reprodução
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As mortes do grão-duque Francesco I de' Medici e de sua esposa, Bianca Cappello, ocorridas em 1587, voltaram ao centro das atenções após um novo estudo indicar que o casal provavelmente morreu em consequência da malária, e não por envenenamento, como sustentou uma teoria que atravessou séculos.
Na época, Francesco e Bianca morreram com poucas horas de diferença após vários dias de febre intensa e outros sintomas compatíveis com a doença. Apesar disso, a sucessão de acontecimentos alimentou rumores de que o casal teria sido assassinado com arsênico, hipótese que permaneceu em debate por muitos anos.
A pesquisa mais recente, conduzida por cientistas das universidades de Yale e de Pisa e publicada na revista científica iScience, analisou DNA extraído dos restos mortais de Francesco e identificou material genético do parasita responsável pela malária. Segundo os pesquisadores, essa evidência oferece um forte indicativo de que a doença foi a principal causa da morte.
Os cientistas encontraram vestígios de duas espécies diferentes do protozoário causador da malária, sugerindo que o grão-duque pode ter sofrido uma infecção dupla. A descoberta também confirmou a presença da doença nos restos mortais de Giovanni de' Medici, irmão de Francesco, que morreu décadas antes após viajar por uma região conhecida pela incidência da enfermidade.
Os registros históricos também reforçaram essa hipótese. Documentos da época descrevem que Francesco e Bianca apresentaram febre intermitente, um dos sintomas mais característicos da malária. O casal estava hospedado em uma propriedade próxima a áreas alagadas da Toscana, ambiente favorável à proliferação dos mosquitos transmissores da doença.
Desde o início dos estudos sobre os restos da família Medici, diferentes pesquisas apresentaram conclusões distintas. Enquanto algumas apontaram a malária como causa da morte, outras defenderam a hipótese de envenenamento por arsênico com base em análises toxicológicas. O novo trabalho, entretanto, utilizou técnicas modernas de análise genética, consideradas mais precisas para identificar agentes infecciosos em restos humanos antigos.
Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores reconhecem que a descoberta do DNA do parasita não elimina completamente a possibilidade de que um envenenamento também tenha ocorrido. Segundo eles, a análise comprova que Francesco contraiu malária, mas não permite descartar de forma definitiva outras circunstâncias que possam ter contribuído para sua morte.
Especialistas independentes avaliaram que o estudo representa um avanço importante na investigação histórica ao demonstrar o potencial da paleogenômica para esclarecer acontecimentos do passado. Ao mesmo tempo, ressaltaram que a confirmação absoluta da causa da morte ainda dependeria da combinação de evidências genéticas, históricas e toxicológicas.
Além de ajudar a esclarecer um dos episódios mais conhecidos da história da família Medici, a pesquisa também amplia o conhecimento sobre a presença e a evolução da malária durante o Renascimento, oferecendo novas informações sobre a disseminação da doença na Itália Central há mais de quatro séculos.

Gazeta de Varginha

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