Operação da PF leva fundador do Banco Master a presídio federal e bloqueio bilionário de bens
há 9 horas
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Divulgação
Fundador do Banco Master será transferido para presídio federal em Brasília após decisão do STF.
O empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, deve ser transferido nesta sexta-feira (6) de São Paulo para a Penitenciária Federal de Brasília, no Distrito Federal. A transferência foi autorizada na quinta-feira (5) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Federal.
A unidade federal possui 208 celas individuais de cerca de seis metros quadrados, distribuídas em quatro blocos. Antes de ocupar uma dessas celas, Vorcaro passará por um período de adaptação de 20 dias em uma cela de aproximadamente nove metros quadrados, conforme o protocolo do Sistema Penitenciário Federal.
Durante esse período inicial de triagem, os presos permanecem isolados, sem contato com outros detentos ou visitas familiares. O banho de sol ocorre de forma individual. Após a adaptação, o detento é transferido para a cela definitiva, equipada com cama, mesa, pia, vaso sanitário e chuveiro com funcionamento em horários definidos. Não há tomadas nem autorização para uso de equipamentos eletrônicos.
Regras rígidas no presídio federal
Na penitenciária, todas as movimentações dos detentos são acompanhadas por câmeras e submetidas a rigorosas revistas. Sempre que entram ou saem das celas, os presos passam por scanners corporais e detectores de metais. No deslocamento até os pátios para banho de sol, são conduzidos algemados.
As visitas também seguem regras restritivas. Os visitantes não podem levar alimentos ou objetos aos presos, e as refeições são entregues por meio de uma portinhola nas portas das celas.
Prisão durante operação da PF
Vorcaro foi preso preventivamente na quarta-feira (4) durante a terceira fase da operação Operação Compliance Zero. No dia seguinte, ele foi levado para a Penitenciária 2 de Potim, no interior paulista, onde permaneceu em isolamento.
O cunhado do empresário, Fabiano Zettel, também foi preso e encaminhado para a mesma unidade.
De acordo com a Polícia Federal, a transferência para um presídio federal foi solicitada por causa da “potencial capacidade do investigado de mobilizar redes de influência com aptidão para, direta ou indiretamente, interferir na condução das investigações ou no cumprimento de determinações judiciais”.
Investigação aponta intimidação e acesso indevido a sistemas
Segundo a representação da PF, que embasou a decisão do ministro André Mendonça, o empresário coordenava um núcleo especializado em monitorar e intimidar adversários.
Conversas encontradas no celular de Vorcaro indicariam que ele teria solicitado a simulação de um “assalto” contra o jornalista Lauro Jardim, afirmando: “Quero dar um pau nele”.
O ministro destacou que há indícios de crimes contra a integridade física e moral de pessoas, incluindo jornalistas e autoridades públicas. Também foram citados possíveis acessos indevidos a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como a Interpol.
Outras prisões e medidas judiciais
Além de Vorcaro e Zettel, foram presos preventivamente Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como integrante de um grupo responsável por monitoramento e obtenção de informações estratégicas.
A decisão do STF também autorizou buscas em 15 endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais, além do sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.
O ministro determinou ainda o afastamento de servidores do Banco Central do Brasil citados na investigação, entre eles Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que passaram a usar tornozeleira eletrônica, tiveram os passaportes recolhidos e estão proibidos de manter contato com outros investigados.
Entre os auxiliares mencionados nas investigações estão Leonardo Augusto Furtado Palhares, apontado como responsável por formalizar documentos de contratação, e Ana Claudia Queiroz de Paiva, que teria atuado na movimentação financeira do grupo.
Segundo a decisão judicial, também foram suspensas por tempo indeterminado empresas ligadas ao empresário, diante de indícios de lavagem de dinheiro.
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