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Operação militar em Hebron desloca quase 4 mil palestinos; Netanyahu rejeita encerramento da ação e bloqueio segue

há 2 dias
2 min de leitura


Reprodução
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As forças de Defesa de Israel mantêm e intensificam a operação na cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, provocando o deslocamento forçado de 3.971 civis palestinos, distribuídos em 619 famílias, segundo a agência WAFA. Outras 85 pessoas foram detidas desde o início da ofensiva, desencadeada após um ataque a tiros que vitimou dois soldados israelenses na sexta-feira (23). Áreas inteiras foram isoladas, com fechamento de comércios, interdição de vias e ordens de saída para moradores, que abandonaram residências levando poucos pertences.

A ação revela divergência interna: o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, teria recomendado o encerramento da operação, avaliando que os objetivos — dissuasão, busca de estruturas e coleta de inteligência — haviam sido atingidos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, porém, rejeitou a orientação militar e determinou a continuidade. Dados da própria ação sugerem resultados limitados: das 500 edificações revistadas, foram apreendidas apenas duas armas de fogo. A decisão de manter as medidas coincide com a véspera das eleições em Israel, o que levanta questionamentos sobre motivações políticas.

Além de Hebron, foi imposto bloqueio abrangente a toda a Cisjordânia, em vigor até o encerramento da votação nesta terça-feira (27). A circulação de pessoas está praticamente suspensa: escolas estão sem aulas, trabalhadores não conseguem chegar aos postos e motoristas de transporte público enfrentam filas e caminhos desviados. "Meu trajeto costumava levar poucos minutos; agora levo 90 minutos por estradas de terra nas montanhas", relatou Tahir Shalatwa, motorista de ônibus, que descreveu postos de controle por toda parte, abrindo e fechando portões ao sabor das autoridades.

O impacto sobre a população civil é profundo: famílias desalojadas dependem de ajuda comunitária, estabelecimentos comerciais acumulam perdas e a rotina de milhões de habitantes foi paralisada sem previsão clara de retorno à normalidade. Enquanto Netanyahu sinaliza firmeza para o eleitorado, a Cisjordânia vivencia mais um capítulo de ocupação e restrição, com consequências que deverão perdurar muito depois de as urnas serem fechadas em Israel.

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