Brasil: ainda tem jeito com esses escĆ”rnios promĆscuos
Desde a Proclamação da RepĆŗblica, o Brasil parece viver entre a esperanƧa e a repetição dos mesmos erros. Mudam-se os governos, mudam-se os discursos, mudam-se as bandeiras ideológicas, mas o sentimento do povo continua quase sempre o mesmo: o de que a nação anda em cĆrculos.
A RepĆŗblica nasceu prometendo modernidade, igualdade e representação popular. O Legislativo foi concebido como o primeiro poder da RepĆŗblica justamente por ser o legĆtimo representante da vontade popular. Deputados, senadores e vereadores recebem do povo uma procuração chamada voto. NĆ£o deveriam servir a governos, partidos ou interesses pessoais, mas Ć sociedade que os elegeu.
Alguns defendem uma nova Assembleia Constituinte, como se fosse possĆvel reiniciar a RepĆŗblica. Outros acreditam que o verdadeiro problema nĆ£o estĆ” apenas nas leis, mas na incapacidade histórica do povo de separar, por muito tempo, o joio do trigo.
Talvez a crise brasileira seja menos institucional do que moral e cultural.
Nenhuma Constituição serĆ” suficiente se a consciĆŖncia polĆtica continuar frĆ”gil. Nenhuma reforma produzirĆ” resultados duradouros enquanto o voto for conduzido pela emoção momentĆ¢nea, pelo marketing eleitoral ou pela dependĆŖncia polĆtica.
Ainda assim, a história mostra que nenhuma nação se transforma sem consciência coletiva. O Brasil talvez não precise começar do zero, mas certamente precisa reencontrar valores que foram se perdendo ao longo da caminhada republicana.
O paĆs terĆ” jeito no dia em que o voto deixar de ser apenas um ato de esperanƧa e passar a ser um verdadeiro instrumento de responsabilidade histórica.