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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 17/09/2026

há 17 minutos
3 min de leitura

Luiz Fernando Alfredo
Luiz Fernando Alfredo
A RÉGUA DA JUSTIÇA NÃO PODE ENTORTAR

Há séculos, a humanidade compreendeu que o poder de governar e julgar deveria servir, sobretudo, para proteger os fracos e fazer prevalecer o direito. A os necessitados e não permitir que a força se sobreponha ao direito.
Mas existe uma condição fundamental: a régua precisa ser reta.
Quem julga precisa ser capaz de reconhecer o direito de quem o possui, mesmo quando esse direito pertence a alguém de quem não gosta, a um adversário ou a alguém cujas ideias rejeita.
E aqui começa a parte mais difícil:
Será que podemos acreditar na Justiça plena dos homens?
Talvez devêssemos acreditar menos na perfeição dos homens e mais nos princípios e mecanismos criados para impedir que suas imperfeições contaminem a Justiça.
Um juiz, antes de tudo, deveria possuir uma qualidade que nem sempre aparece nos códigos: honestidade intelectual.
Deveria perguntar a si mesmo, antes de perguntar à lei:
“Eu realmente estou em condições de julgar esta causa com absoluta independência?”
É uma pergunta semelhante à que deveria fazer um médico cirurgião antes de colocar um paciente sobre a mesa de operação. Ele não pode permitir que vaidade, orgulho, interesses pessoais ou qualquer outra circunstância comprometa sua capacidade de tomar a decisão correta.
E há uma regra que deveria valer para todo profissional investido de responsabilidade:
Um profissional pode saber muito, mas seu caráter precisa ser maior do que seus conhecimentos.
Conhecimento sem caráter pode produzir decisões tecnicamente brilhantes, mas moralmente questionáveis.
O juiz tem responsabilidade sobre algo precioso: a liberdade, o patrimônio, a honra e o destino das pessoas.
Por isso, quando existe interesse próprio, vínculo relevante ou qualquer circunstância capaz de comprometer sua independência, a pergunta não deveria ser apenas se a lei permite que continue julgando.
Deveria ser:
“É moralmente correto que eu continue julgando?”
Existe uma diferença enorme entre estar legalmente autorizado e estar verdadeiramente apto a exercer aquele julgamento.
A Justiça não precisa apenas ser feita.
Ela precisa parecer Justiça.
Porque, quando o cidadão começa a acreditar que quem julga pode ter interesses naquilo que está julgando, a confiança desaparece. E sem confiança, até uma decisão tecnicamente fundamentada passa a ser recebida com desconfiança.
É aí que a questão deixa de ser individual e passa a ser institucional.
No Brasil de hoje, diante dos conflitos entre Poderes, das decisões que alcançam diretamente a política e da crescente desconfiança da sociedade em relação às instituições, essa advertência precisa ser feita:
quanto maior o poder de um julgador, maior deve ser sua capacidade de controlar o próprio ego.
O verdadeiro poder não está em poder decidir tudo.
Está em saber quando não se deve decidir.
O verdadeiro juiz não deveria perguntar quem será beneficiado ou prejudicado por sua decisão, muito menos quem são seus aliados ou adversários.
Deveria perguntar somente:
“Onde está o direito?”
Porque a régua da Justiça não pode se adaptar à pessoa que está diante dela.
Se mede um amigo de uma maneira e um inimigo de outra, já não é uma régua.
É uma ferramenta de conveniência.
E quando a Justiça deixa de ser uma régua reta para se transformar na vontade de quem possui o poder de julgar, talvez ainda tenhamos tribunais, leis e sentenças.
Mas estaremos cada vez mais distantes da Justiça.
O espetáculo a que assistimos ontem, 15 de setembro, no plenário do Supremo Tribunal Federal, demonstrou, a meu ver, que a maioria dos ministros age como políticos. Embora todos tenham mais de 35 anos, é possível questionar, em relação a alguns deles, a reputação ilibada e o notório saber jurídico exigidos para o exercício do cargo.
A sessão, extremamente tumultuada, evidenciou a falta de pulso da Presidência, além do cinismo de vários magistrados. Ficou visível a tentativa de proteger Moraes, que, em meu entendimento, já violou a Constituição repetidas vezes, valendo-se de critérios seletivos e parciais.
Que Deus proteja o nosso Brasil durante as futuras eleições e ilumine a cabeça dos brasileiros para que saibam votar corretamente!
Ainda bem que, na maioria das outras instâncias do Judiciário, temos muitos juízes que fazem jus ao título que carregam.
Luiz Fernando Alfredo

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