SE O BRASIL É MAJORITARIAMENTE CRISTÃO, DE ONDE VEM TANTA FORÇA ELEITORAL DA ESQUERDA?
Há uma pergunta que, gostemos ou não dela, merece ser feita.
O Censo 2022 revelou que 56,7% dos brasileiros com 10 anos ou mais se declararam católicos e 26,9% evangélicos. Somados, são 83,6%. O Brasil, portanto, continua sendo um país majoritariamente cristão.
E aqui uma curiosidade: essa formação não pode ser respondida com uma simples conta de matemática.
Se a maioria dos brasileiros se identifica com uma religião que tradicionalmente valoriza a família, a responsabilidade individual, a solidariedade, a fé em Deus e determinados princípios morais, por que essa mensagem religiosa não se transforma automaticamente em uma maioria política com semelhantes valores?
Será que existe uma distância enorme entre aquilo em que o brasileiro diz acreditar e o que considera na hora de votar?
Ou será que existe outro fenômeno por trás disso?
Seria falta de informação? Seria desinteresse político? Seria a força das circunstâncias econômicas? Seria a identificação histórica com determinados partidos? Seria a influência das lideranças religiosas? Seria a manipulação por meio de grandes meios de comunicação que selecionam e interpretam os acontecimentos políticos?
Será que a grande imprensa simplesmente “manipula” o eleitor? Talvez, mas também seria ingênuo imaginar que a escolha nas urnas, da mesma forma, entrevistados, as perguntas e o espaço concedido a cada assunto não influenciam a percepção do cidadão sobre a informação — tudo por dinheiro.
O próprio ambiente jornalístico revela uma crise de confiança. Segundo o Reuters Institute, apenas 36% dos brasileiros pesquisados em 2026 disseram confiar nas notícias em geral, enquanto 47% afirmaram evitar notícias às vezes ou frequentemente. O relatório alerta para a queda de confiança no ambiente de polarização política.
E há outro detalhe importante: o brasileiro já não recebe informação apenas pela televisão, do rádio ou do jornal. Redes sociais, YouTube, podcasts e influenciadores passaram a disputar a atenção do cidadão. Em 2025, 54% dos brasileiros pesquisados pelo Reuters Institute disseram consumir notícias pelas redes sociais semanalmente.
Portanto, talvez estejamos diante de algo muito mais complexo do que simplesmente “a esquerda vende mais votos”.
Talvez o verdadeiro fenômeno esteja em uma religião e extraordinária desconfiança na política.
E isso nos obriga a outra pergunta, talvez ainda mais incômoda:
Quantos brasileiros conhecem realmente as propostas, a história e as consequências das ideias em que acreditam — e quantos simplesmente repetem o que ouviram, repetiram um apelo acreditar?
A resposta não pertence à esquerda nem à direita.
Pertence ao eleitor.
Porque democracia não é apenas o direito de votar. É também a responsabilidade de procurar saber em quem, em quê e por que se está votando.
E, no fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja impor uma resposta ou se o eleitor está desinformado.
Talvez seja esta:
O QUE ESTÁ FORMULANDO A CABEÇA DO ELEITOR BRASILEIRO: A SUA CONSCIÊNCIA, A SUA FÉ, A SUA EXPERIÊNCIA — OU AQUILO QUE OUTROS DECIDIRAM QUE ELE DEVE PENSAR?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou um depoimento esclarecedor à Justiça Eleitoral em seu discurso, onde a justiça cidadã está a oposição contra chapa e a decisões desfavoráveis do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no exercício da reeleição.
O encontro foi durante uma reunião no TSE (Plenário), falou sobre o que chamou de “Tribunal Eleitoral que funciona”.
Mas eis a pergunta: por que essa desconfiança é presente não só nos mesmos 2022? Será que a fé não consegue alcançar votos onde o estandarte de Deus foi usado na mesma eleição “honesta” do Brasil, daqui um ano, sem que a impressão de ter sido tomado de assalto?
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