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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 23/04/2026

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo
Um vice contido demais

Antônio Silva, prefeito por quatro mandatos na cidade de Varginha, ficou conhecido popularmente como “o prefeito que consertava a Prefeitura”. Muitos de nós entendíamos que ele carregava dois verdadeiros karmas: o de reorganizar as finanças do município e o de enfrentar constante oposição da maioria dos vereadores durante seus mandatos.
Não menosprezando os outros Prefeitos, mas esta substancial arrecadação do Município hoje, a maior parte é fruto dos seus governos, principalmente após ter vencido o Partido das Trevas - PT em 2012, governando de 2013 até a metade de 2020.
Antônio Silva sempre se destacou como um político sério, ético e comprometido com a legalidade, priorizando o cumprimento rigoroso da lei antes de qualquer articulação política. Tivemos a honra de assessorá-lo em todos os seus mandatos, como pessoas de sua confiança - relação construída com base na identificação de valores como integridade, fidelidade e coragem para enfrentar desafios.
Sua reputação como gestor íntegro dispensa maiores comentários. Em termos de aceitação popular, tornou-se uma figura marcante em Varginha. Mesmo após quatro mandatos como prefeito, demonstrou humildade ao assumir o cargo de vice-prefeito ao lado de Leonardo Ciacci, movido pela afinidade de princípios e pelo desejo de continuar servindo à comunidade, independentemente do cargo ocupado.
Antônio Silva sempre nos prestigiou como companheiros de jornada política. Em retribuição, buscamos servir com dedicação nos cargos que ocupamos, muitas vezes acumulando funções diante das dificuldades e da grande responsabilidade.
Antônio Silva, como vice-prefeito, ao assumir cargos de secretário de forma temporária, contribui para a gestão do prefeito Leonardo Ciacci, mas é preciso deixar claro: isso não amplia, por si só, o alcance institucional do cargo de vice.
O vice-prefeito não governa, não define diretrizes e não conduz a máquina pública por iniciativa própria. Sua atuação é, por natureza, limitada - restrita às substituições legais e às funções que lhe forem formalmente delegadas. Fora disso, qualquer protagonismo é mais político do que institucional, e muitas vezes sustentado por percepção pública equivocada.
Nesse contexto, conhecendo o histórico de Antônio Silva, marcado por rigor ético e respeito às normas, é previsível que ele não ultrapasse essas fronteiras. No entanto, é justamente aí que surge um ponto sensível.
A postura excessivamente cautelosa, embora louvável sob o aspecto ético, pode acabar se convertendo em omissão política. Em um ambiente administrativo complexo, não basta apenas agir dentro dos limites formais - espera-se também capacidade de intervenção crítica, sobretudo de alguém com a experiência acumulada de quatro mandatos como prefeito.
Há momentos em que a lealdade institucional não deveria impedir o exercício de uma influência mais firme. Um vice com esse histórico poderia - e talvez devesse - ser mais incisivo ao apontar falhas, questionar decisões e expor, com clareza, eventuais fragilidades da gestão. A contenção excessiva, nesse caso, corre o risco de beneficiar a inércia em vez de contribuir para o aprimoramento da administração.
Se por um lado Antônio Silva mantém coerência com sua trajetória ética, por outro, essa mesma rigidez pode limitar sua relevância prática no atual governo. E, para alguém com sua experiência, a expectativa natural da sociedade vai além da discrição: espera-se presença, posicionamento e, quando necessário, firmeza crítica.
Além disso, apesar de nossa identificação e trajetória irrepreensível, Antônio Silva costumava centralizar as demandas na Prefeitura, tratando-nos de forma estrita, ao contrário do que muitos supunham. Temos certeza, no entanto, de que não houve maldade; agíamos como um fiel escudeiro, ouvindo e opinando de maneira discreta e colaborativa. Enfim, sem mágoas.


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Gazeta de Varginha

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