A nova face da desinformação médica tem cenário, iluminação e roteiro. Nas redes sociais, multiplicam-se figuras de jaleco impecável que transformam insegurança em audiência e medo em engajamento. O alvo preferencial? Idosos e portadores de doenças crônicas - justamente os mais vulneráveis.
Com voz grave e frases alarmistas, anunciam que “o sistema esconde a verdade”, que “se continuar tomando isso você não chega ao fim do ano”, que “há um método simples em casa que salva sua vida, desde que adquira deles a principal mistura”- “’basta clicar no saiba mais” Entre um vídeo e outro, sugerem chás milagrosos, interrupções abruptas de medicamentos e rotinas improvisadas que ignoram histórico clínico, exames e acompanhamento profissional, frutas, hortaliças, grãos e proteínas, que aumentam a longevidade e outros que matam rapidamente.
A ética médica não autoriza terrorismo terapêutico. O Conselho Federal de Medicina não regulamenta performances digitais; regulamenta responsabilidade técnica. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde já alertaram que a desinformação em saúde produz dano real - abandono de tratamento, descompensações clínicas, internações evitáveis.
Assustar um idoso hipertenso para que suspenda medicação contínua não é opinião: é risco concreto. Sugerir “procedimentos cotidianos” como escudo contra a morte é explorar a fragilidade humana. Medicina exige diagnóstico individualizado, não receita genérica para viralizar.
Liberdade de expressão não inclui licença para amedrontar doentes. Jaleco não é figurino de influencer; é símbolo de responsabilidade. Quando se usa esse símbolo para gerar cliques à custa da angústia alheia, deixa-se de exercer medicina para exercer oportunismo.
Somos apenas um colunista de opiniões, lógico embasamos tudo e não acrescentamos nada, quando o assunto é tecnicamente comprovado. Talvez àqueles que lerem, não importarão, outros serão mais previdentes, entretanto para este autor não importa; basta que possamos sentir que informamos para o bem.
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