Não há espetáculo mais constrangedor no poder público do que a soberba fundamentada no vazio. Nossas instituições estão entupidas de figuras caricatas que, destituídas de qualquer conhecimento real ou inteligência estratégica, passam a habitar uma redoma de vaidade cega.
Diante da própria incompetência, essa estirpe de "autoridade" agarra-se à única tábua de salvação que possui: a caneta, o crachá e a burocracia do cargo.
Como falta-lhes estofo intelectual, sobram-lhes ordens. Como carecem de respeito conquistado pela capacidade, exigem a subserviência imposta pela hierarquia. Transformam o cargo em escudo para tentar esconder o óbvio: não sabem o que estão fazendo.
O resultado é de um ridículo atroz. O vaidoso de gabinete vive a ilusão de que está no topo de um pedestal, quando, na verdade, está equilibrando-se pateticamente em cima de um tijolo. Uma plataforma minúscula, instável, fictícia e - acima de tudo - passageira. Olham de cima com desdém, sem perceber que quem está embaixo não os admira; apenas assiste, com uma mistura de tédio e deboche, à iminência do tombo.
A autoridade sem competência é um castelo de cartas. No primeiro vento de crise real, o tijolo esfarela, a vaidade revela sua face patética e o soberbo descobre, da pior forma, que a altura do cargo nunca vai compensar a pequenez do espírito. O poder passa, o ridículo fica.
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