Palestinos protestam contra deslocamento de mais de 3 mil moradores em Hebron; militares disparam granada de efeito moral
há 59 minutos
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Reprodução/ IA
Palestinos reuniram-se em protesto em Hebron, na Cisjordânia ocupada, para denunciar a operação militar israelense que forçou mais de 3 mil pessoas a deixarem suas casas, segundo balanço da ONU. A manifestação ocorreu justamente no dia em que os israelenses votavam nas eleições gerais, nas quais a política para os territórios ocupados foi um dos temas centrais. Para dispersar a multidão, as Forças de Defesa de Israel dispararam uma granada de efeito moral, sem ferir gravemente ninguém, mas encerrando o ato de forma tensa. Entre os manifestantes, um idoso segurava cartaz que sintetizava a indignação: “Não à punição coletiva, não aos bloqueios e não ao deslocamento”.
A operação foi deflagrada após o ataque a um posto de controle que vitimou dois soldados israelenses na sexta-feira (23). O governo apresentou a ação como resposta de segurança legítima, mas autoridades palestinas avaliam que a medida foi calculada para coincidir com a votação e mobilizar eleitores de direita. Os militares revistaram dezenas de residências na região, mas não encontraram armas durante as buscas, segundo comunicado oficial. Ainda assim, determinou-se a demolição de estruturas e o afastamento de famílias de suas moradias, em medida que a ONU classifica como deslocamento forçado.
Desde o incidente no posto de controle, Israel impôs bloqueios às entradas da maioria das cidades e localidades palestinas da Cisjordânia, paralisando a circulação de pessoas, veículos e serviços. Noura Nassar, moradora deslocada que participou do protesto, relatou dificuldades para conseguir atendimento médico por causa das barreiras. O fechamento coincide com um período em que a expansão de assentamentos considerados ilegais pela comunidade internacional tem se acelerado, acompanhada de aumento de ataques de colonos extremistas contra populações locais.
A frustração dos palestinos é ampliada pelo cenário eleitoral em si: tanto Benjamin Netanyahu quanto seu principal adversário, Gadi Eisenkot, rejeitam a criação de um Estado palestino independente. Para os moradores de Hebron, a disputa israelense pouco altera a realidade diária de ocupação, restrição e desalojos. Enquanto Israel escolhe seu novo governo, milhares de pessoas permanecem sem poder voltar para casa — e sem perspectiva de que o resultado das urnas traga qualquer mudança para elas.
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