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Perícia técnica vai avaliar se ETE da Copasa atende exigências após cobrança de tarifa

  • gazetadevarginhasi
  • 15 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura
Perícia técnica vai avaliar se ETE da Copasa atende exigências após cobrança de tarifa
Divulgação
MPMG solicita perícia em estação de esgoto da Copasa após denúncias de irregularidades em Abaeté.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça de Abaeté, no Oeste do estado, determinou a realização de uma perícia técnica na água lançada pela Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Copasa no município. A medida faz parte de um Procedimento Administrativo instaurado no início de julho para verificar se a ETE está cumprindo os padrões técnicos exigidos e os termos de um acordo judicial firmado em 2023.

A ação do MPMG foi motivada por relatos da Polícia Militar Ambiental, que identificou características como cor escura e mau cheiro na água despejada no curso d’água que corta a cidade. As observações foram feitas a pedido do próprio Ministério Público, que busca confirmar, por meio de análises técnicas, a regularidade do serviço prestado pela companhia.

O acordo judicial que embasou a construção da estação foi firmado entre o MPMG, a Prefeitura de Abaeté e a Copasa, após uma Ação Civil Pública movida em 2019. Pelo compromisso, a empresa ficou autorizada a cobrar tarifa de esgoto somente após a efetiva oferta do serviço em toda a cidade, com coleta e tratamento em conformidade com as normas. Caso seja constatado descumprimento, o acordo poderá ser revisto.

Desde o início de 2024, a cobrança da tarifa de esgoto — correspondente a 74% do valor da conta de água — tem sido alvo de críticas e mobilização popular no município. A população aponta falhas no tratamento e irregularidades nos despejos, o que levou moradores, vereadores e lideranças locais a fiscalizarem mais de perto as ações da Copasa.

Segundo o promotor Vitor Bernardes, a perícia é essencial para esclarecer tecnicamente a situação da ETE. “Acionamos nosso órgão técnico para verificar se a estrutura e o funcionamento da estação estão de acordo com o exigido. A análise científica vai nos dizer se houve ou não o cumprimento do acordo judicial”, explicou.

Ainda conforme o MPMG, as amostras de água foram coletadas antes e depois da ETE, além de pontos do esgoto bruto, por um laboratório credenciado pelo Centro de Apoio Técnico do Ministério Público. Também foram solicitadas informações sobre a vazão da estação à Copasa e dados populacionais à Prefeitura de Abaeté para avaliar se a estrutura é compatível com a demanda local.

Apesar das indenizações já pagas pela Copasa — R$ 4,7 milhões ao Fundo Municipal de Saneamento Básico por danos ambientais e até R$ 3 milhões para obras de recuperação de áreas degradadas — a efetividade do serviço ainda é contestada pela comunidade. O caso chegou a ser debatido em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em abril deste ano.

A Copasa, por sua vez, alegou que alguns incidentes de despejo irregular ocorreram devido a entupimentos ou sobrecarga no sistema. No entanto, o MPMG reforça que sua atuação se concentra na garantia do cumprimento do acordo judicial e na preservação ambiental. “O Ministério Público não atua especificamente na questão da cobrança da tarifa, mas sim na proteção do meio ambiente e no respeito aos termos do acordo firmado”, afirmou Bernardes.

A conclusão da perícia técnica poderá gerar novas negociações com o município e a Copasa ou, se necessário, a retomada da Ação Civil Pública. “Assim que a análise estiver pronta, vamos verificar se houve ou não descumprimento do acordo, para tomar as medidas cabíveis”, finalizou o promotor.
Fonte: MPMG

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Gazeta de Varginha

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