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PF investiga Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro em apostas; advogado movimentou R$ 6,6 bilhões

há 7 horas
3 min de leitura
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


A Polícia Federal investiga se o advogado Willer Tomaz de Sousa utilizou operações em uma casa de apostas para lavar dinheiro. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, período de 18 meses, Tomaz movimentou R$ 6,6 bilhões em apostas e registrou prejuízo de R$ 188,5 milhões, segundo dados apresentados pela defesa em um processo contra a plataforma Blaze.

O processo foi protocolado em agosto deste ano e permanecia sob sigilo até o início da tarde de terça-feira (29). A informação sobre a investigação foi inicialmente divulgada pelo Metrópoles, e o processo foi obtido pelo g1. A Blaze patrocina o atacante Neymar Jr. e já manteve contrato com a influenciadora Virgínia Fonseca.

Na ação judicial, a defesa de Willer Tomaz afirma que o advogado foi diagnosticado com ludopatia, transtorno relacionado à perda de controle sobre o impulso de jogar e apostar. Os advogados pedem que sejam restituídos os valores enviados à plataforma.

De acordo com a defesa, Tomaz realizou 2.145 depósitos na Blaze durante os 18 meses analisados, totalizando R$ 325 milhões. Esse dinheiro teria sido utilizado em apostas sucessivas, fazendo com que o volume total movimentado chegasse à casa dos bilhões de reais. Os advogados afirmam, porém, que o montante pode ser ainda maior, porque não conseguiram acessar todos os dados referentes aos períodos anteriores a 2025. Eles dizem ter identificado 55 páginas de depósitos anteriores a esse ano.

A defesa aponta as mesas de cassino online como a principal causa das perdas registradas por Tomaz. Segundo os advogados, algumas dessas modalidades permitiam apostas de até R$ 500 mil em rodadas com duração de aproximadamente 30 segundos.

Os representantes do advogado também afirmam que ele informou à Blaze sobre o diagnóstico de ludopatia em pelo menos duas ocasiões e solicitou, por meio de três protocolos formais, o bloqueio definitivo da conta. Segundo a defesa, também houve uma notificação pré-litigiosa encaminhada ao gerente de contas da plataforma, cujo recebimento teria sido confirmado pela empresa.

A defesa questiona ainda as regras utilizadas pela casa de apostas. Segundo os advogados, a plataforma permitia depósitos de até R$ 500 mil de uma só vez, mas limitava os saques a R$ 100 mil por operação.

Em um dos episódios descritos no processo, Tomaz teria solicitado 16 saques de R$ 100 mil, totalizando R$ 1,6 milhão, em um intervalo de apenas seis minutos. Ao tentar retirar outros R$ 100 mil, o sistema teria bloqueado a operação sob a justificativa de que havia ocorrido um número excessivo de tentativas consecutivas. Segundo a defesa, naquela noite o advogado chegou a aplicar R$ 1,9 milhão e terminou com apenas R$ 0,29 na conta.

A Blaze contesta a forma como a defesa caracteriza os valores perdidos. Em uma das manifestações apresentadas no processo, a empresa afirmou que o chamado movimento líquido da conta não poderia ser tratado simplesmente como dano, porque a conta funcionava durante o período como uma espécie de conta corrente, com entradas e saídas sucessivas. Para a empresa, considerar apenas as saídas e classificá-las como prejuízo desconsideraria os valores que também entraram na conta.

O processo também registra que, em abril de 2023, quando as casas de apostas ainda não eram regularizadas no Brasil, a Blaze criou um grupo de WhatsApp para atendimento exclusivo de Tomaz.

Segundo a defesa, os limites para apostas nas mesas de cassino eram inicialmente menores. As apostas máximas teriam começado em R$ 125 mil e aumentado posteriormente, conforme pedidos feitos pelo advogado.

Outro ponto apresentado no processo é que a Blaze teria oferecido R$ 42,2 milhões em "estímulos" a Tomaz ao longo do período. De acordo com a defesa, os valores funcionavam como bônus relacionados à frequência das apostas.

Investigação da Polícia Federal

Willer Tomaz também é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apurou um esquema envolvendo descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A fase da operação que teve Tomaz como um dos alvos investigava um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Segundo a PF, o advogado teria funcionado como uma estrutura de sustentação financeira e patrimonial ligada ao senador, envolvendo empresas, imóveis, aeronaves e outros operadores. Weverton Rocha nega irregularidades.

Tomaz também foi preso preventivamente em 2017, quando era investigado por suspeita de tentar interferir nas apurações da Operação Greenfield, que investigou fraudes envolvendo fundos de pensão.

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