Pisa mostra que 72% dos alunos brasileiros de 15 anos não atingem nível básico em matemática
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Cerca de 7 em cada 10 estudantes brasileiros de 15 anos não conseguem atingir o nível básico de proficiência em matemática, segundo os resultados do Pisa 2025, divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento mostra que apenas 28% dos alunos do país alcançaram pelo menos o nível 2, considerado o patamar mínimo de conhecimentos e habilidades matemáticas.
No Pisa, o nível 2 envolve a capacidade de reconhecer como situações simples do cotidiano podem ser representadas matematicamente, mesmo sem receber instruções diretas. Entre as tarefas associadas a esse patamar estão comparar a distância total de diferentes rotas e realizar conversões de preços de produtos para outra moeda. Na média dos países da OCDE, 65% dos estudantes chegaram a esse nível.
O desempenho brasileiro em matemática foi de 377 pontos, enquanto a média da OCDE ficou em 469. Com esse resultado, o Brasil aparece na 71ª posição entre 89 países e economias com dados disponíveis na área. Em relação à edição anterior, de 2022, a pontuação brasileira teve uma pequena queda, mas a variação está dentro da margem de erro considerada pela avaliação e não permite afirmar que houve uma mudança real no desempenho.
A matemática continua sendo a área de maior dificuldade para os estudantes brasileiros. Além dos baixos índices de alunos que alcançam o nível básico, praticamente nenhum estudante do país chegou aos níveis 5 e 6, destinados aos desempenhos mais altos. Na média da OCDE, 8% dos estudantes alcançaram essas faixas.
O Pisa 2025 avaliou estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. No Brasil, a pontuação foi de 408 em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. As médias da OCDE foram de 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Quase 44% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo simultaneamente nas três áreas, mais que o dobro da média de 19,7% registrada entre os países da organização.
Entre as três áreas tradicionais avaliadas, ciências foi a única em que o Brasil apresentou uma melhora estatisticamente significativa em relação a 2022. A nota passou de 403 para 409 pontos. Em matemática e leitura, as oscilações foram consideradas estatisticamente estáveis pela OCDE.
A edição de 2025 também incluiu uma avaliação sobre resolução de problemas utilizando ferramentas computacionais. Nesse novo domínio, o Brasil obteve 406 pontos, abaixo da média de 500 pontos da OCDE. O levantamento contou com a participação de mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias, enquanto o Brasil foi representado por 30.140 alunos.
No país, a aplicação do Pisa é coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Entre os participantes brasileiros, 72,4% estudavam em escolas estaduais e 84,7% estavam na 1ª ou 2ª série do ensino médio no momento da avaliação.
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