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Polícia Federal aciona autoridades argentinas para verificar possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

há 55 minutos
4 min de leitura
Reprodução
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A Polícia Federal (PF) acionou autoridades da Argentina nesta terça-feira (27) para verificar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil diante da suspeita de uma possível fuga para o exterior. O parlamentar, derrotado na disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não havia sido localizado ao longo do dia, e o governo brasileiro ainda não tinha confirmação de que ele permanecia em território nacional.

Além do contato com as autoridades argentinas, a PF passou a verificar informações sobre registros nos postos regulares de fronteira entre os dois países. A iniciativa ocorreu após o site argentino Infobae publicar que Flávio teria atravessado a fronteira em um voo privado e seguiria para os Estados Unidos.

Até o momento, porém, a informação sobre a suposta saída do senador não foi confirmada. O governo argentino negou que ele tenha entrado no país, enquanto aliados políticos também contestaram a possibilidade de que tenha deixado o Brasil.

Prazo para entregar passaportes termina nesta terça-feira

A movimentação das autoridades ocorre no mesmo dia em que termina o prazo de 24 horas determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio Bolsonaro entregue seus passaportes à Polícia Federal.

A ordem foi comunicada ao senador na manhã de segunda-feira (26). Até a manhã desta terça-feira, não havia confirmação de que os documentos tivessem sido entregues.

A determinação judicial estabelece restrições relacionadas à saída do país e à entrega dos documentos de viagem. Flávio também foi proibido de manter contato com o advogado Willer Tomaz, que é investigado no mesmo procedimento judicial.

A investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As medidas foram determinadas no âmbito de um procedimento que tramita no Supremo.

Na segunda-feira, Flávio afirmou que havia sido abordado por agentes da Polícia Federal quando saía da residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Segundo o senador, os policiais o comunicaram sobre a determinação judicial envolvendo seus passaportes.

Em vídeo publicado nas redes sociais, ele declarou que entregaria os documentos e contestaria a decisão. Na ocasião, também afirmou que não pretendia deixar o Brasil.

Site argentino publicou relato sobre voo particular

A suspeita ganhou força depois que o Infobae divulgou que Flávio Bolsonaro teria atravessado a fronteira entre Brasil e Argentina utilizando seu documento de identidade e seguido para Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.

Segundo a publicação, o senador embarcaria em um avião particular com destino aos Estados Unidos. A reportagem mencionou uma aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A.

O veículo argentino informou que a decolagem estava prevista para as 2h desta terça-feira, no horário local. Também relatou que haviam sido solicitados procedimentos de imigração e alfândega para quatro passageiros e três tripulantes.

Essas informações, entretanto, não comprovam que Flávio tenha embarcado na aeronave ou deixado o território brasileiro. A Polícia Federal passou a realizar verificações para esclarecer o que aconteceu.

Governo argentino nega entrada do senador

Em resposta às informações divulgadas pela imprensa, o governo argentino negou que Flávio Bolsonaro tenha entrado no país.

O porta-voz da Presidência argentina, Fabián Fernández, afirmou que o senador não ingressou em território argentino. Ele também negou a existência de um voo com as características divulgadas pela imprensa que tivesse partido do país com destino aos Estados Unidos.

A negativa contradiz o relato publicado pelo Infobae e mantém em aberto a situação do parlamentar.

No Brasil, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, também negou que o candidato derrotado tenha deixado o país. Ao ser questionado sobre a possibilidade, respondeu: “Não saiu”.

Até o momento das informações divulgadas nesta terça-feira, não havia confirmação independente de que Flávio Bolsonaro tivesse cruzado a fronteira ou embarcado em um voo internacional.

Defesa afirma que não conseguiu contato com Flávio

O desaparecimento temporário do senador também provocou preocupação entre aliados do próprio Partido Liberal. Integrantes da legenda afirmaram que as especulações sobre uma possível saída do Brasil poderiam prejudicar a imagem do grupo político após a derrota eleitoral.

Parlamentares próximos a Flávio relataram que tentaram entrar em contato com ele, mas não conseguiram obter informações sobre seu paradeiro.

A defesa do senador também afirmou que não havia conseguido falar com ele durante a terça-feira. Os advogados haviam informado anteriormente que Flávio deveria receber os documentos e tratar do cumprimento da determinação judicial.

Na segunda-feira, o senador se reuniu com aliados e discutiu os próximos passos políticos após o resultado da eleição. Entre as possibilidades estava consolidar sua atuação na oposição ao governo Lula e manter a articulação com lideranças do PL.

Flávio também anunciou, em vídeo publicado nas redes sociais, que pretendia pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Na mesma gravação, defendeu transformar a Câmara dos Deputados e o Senado em uma “fortaleza contra barbárie”.

Investigação envolve Flávio Bolsonaro e advogado

A ordem para a entrega dos passaportes está relacionada a uma investigação que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. Os dois são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes estabeleceu restrições para o senador, incluindo a proibição de manter contato com o advogado e a obrigação de entregar os documentos de viagem.

O procedimento tramita no STF, e as medidas determinadas pela Justiça não representam, por si só, uma condenação dos investigados.

A situação ganhou repercussão também porque Flávio havia declarado publicamente que cumpriria a ordem de entrega dos passaportes e que não pretendia sair do país.

Enquanto a Polícia Federal consulta autoridades argentinas e verifica registros de fronteira, o paradeiro do senador permanece sem confirmação oficial nas informações divulgadas até o momento. A hipótese de uma fuga para os Estados Unidos continua dependendo de esclarecimentos, diante das versões conflitantes sobre uma possível passagem pela Argentina.

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