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Presidente do BC alerta que inflação pode ficar fora da meta pelos próximos três anos

10 de jul. de 2025
2 min de leitura
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, alertou nesta quarta-feira (9) que o Brasil pode descumprir a meta de inflação nos próximos três anos. Durante audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, Galípolo revelou que a atual trajetória inflacionária preocupa o Comitê de Política Monetária (Copom) e já indica a necessidade de enviar outra carta ao ministro da Fazenda para justificar o não cumprimento da meta.
Segundo ele, dos itens que compõem o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo):
  • 72,5% estão acima da meta oficial de 3%;
  • 58,8% acima do teto da meta, de 4,5%;
  • e 45,1% acima do dobro da meta, ou seja, 6%.
“Nós todos do Copom estamos bastante incomodados porque essas expectativas sinalizam que, em seis meses, terei que escrever a segunda carta de descumprimento da meta. Já escrevi em janeiro e, provavelmente, terei que escrever outra no próximo mês. Nesta lógica, passaríamos três anos sem cumprir a meta”, disse Galípolo.
A meta de inflação é definida pelo Comitê Monetário Nacional (CMN), atualmente fixada em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Quando a inflação fica fora desse intervalo por seis meses, o presidente do BC é obrigado a justificar por carta ao ministro da Fazenda, explicando as causas e as medidas adotadas.
O BC utiliza a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano — maior patamar desde maio de 2006 — como principal ferramenta para controlar a inflação. Na última reunião, o Copom elevou a Selic para este nível e indicou que o ciclo de alta deve terminar em julho, a fim de avaliar os impactos das medidas já tomadas.
Em comunicado recente, o BC já passou a falar de juros “bastante prolongados”, indicando que as taxas elevadas devem permanecer por mais tempo para garantir a convergência da inflação à meta.
Em janeiro, Galípolo já havia escrito uma carta justificando o descumprimento da meta após a inflação fechar 2024 em 4,83%.

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Gazeta de Varginha

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