Protestos na França reúnem centenas de milhares; organizadores falam em 450 mil, governo registra 250 mil; é a maior mobilização estudantil em décadas; Macron convoca reunião e fala ao país
há 11 horas
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Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas em toda a França nesta terça-feira, dia 6 de outubro. Os organizadores calculam 450 mil manifestantes, enquanto o governo contabiliza 250 mil. A mobilização é considerada a maior do gênero no país em décadas. Estudantes, professores e pais participaram de atos em dezenas de cidades, com concentração em capitais regionais e na própria capital. O presidente convocou reunião ministerial e fará pronunciamento ao país, em meio à pressão crescente sobre o governo.
Os protestos começaram no mês passado nas regiões periféricas e se espalharam por todo o território. As reivindicações centrais envolvem investimentos urgentes na rede de ensino: escolas com problemas estruturais, desde infiltrações e falta de manutenção até infestação de roedores; falta de professores substitutos; jornada diária de estudo considerada excessiva, das 8h às 18h, com intervalos curtos para refeição. Em vários locais, os atos evoluíram para confronto com forças de segurança, com uso de granadas de dispersão e detenções em massa. Um jovem de 15 anos perdeu a mão e parte do antebraço ao manusear artefato lançado pela polícia.
O governo anunciou um conjunto de medidas para tentar conter a crise: garantia de reposição de professores, revisão dos horários e dos intervalos, e plano de reparos nos prédios escolares. As propostas serão detalhadas até o final de outubro. Para os manifestantes, porém, o oferecido é insuficiente. O financiamento das reformas também levanta dúvidas, já que o país enfrenta dificuldades orçamentárias e precisa reduzir gastos. As autoridades classificam parte dos distúrbios como ação de grupos externos que se aproveitam do movimento; entidades de defesa dos direitos humanos acusam o Estado de usar força desproporcional contra menores.
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