Rússia constrói nova base de lançamento de drones a jato em seis semanas; instalação em Rostov pode disparar modelos Geran-4 e Geran-5 contra a Ucrânia
há 15 horas
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Reprodução/ IA
Análise de imagens de satélite fornecidas pela Planet Labs e pela Airbus confirma que a Rússia construiu, em apenas seis semanas, uma nova e ampla instalação militar na região de Rostov, no sudoeste do país, voltada ao lançamento de drones de propulsão a jato contra a Ucrânia. O local, que até o final de agosto era um terreno sem edificações, transformou-se num complexo de aproximadamente 0,9 quilômetro quadrado — área equivalente a cerca de 126 campos de futebol — com oito plataformas de concreto e trilhos de decolagem. A obra prossegue em ritmo acelerado e a entrada em operação plena deve ocorrer em questão de semanas, segundo avaliação de especialistas consultados pela Reuters.
A nova base tem capacidade para operar os modelos mais recentes de drones de ataque russos: o Geran-4 e o Geran-5, dotados de motores a jato que lhes conferem velocidade de até 600 km/h — muito superior à de aparelhos anteriores de motor a pistão. Mike Monnik, da empresa de inteligência DroneSec, identifica na porção oeste do complexo as estruturas compatíveis com os sistemas de lançamento desses veículos aéreos não tripulados. A instalação se soma a pelo menos outros 11 pontos fixos já existentes no território russo e pode permitir o disparo de até cem aparelhos em 24 horas, embora a prática atual seja lançá-los em grupos menores ao longo do dia. A proximidade com a base aérea de Millerovo, a cerca de 3,5 quilômetros, oferece proteção adicional por meio de sistemas de defesa antiaérea já instalados.
A construção em tempo tão curto revela uma mudança de estratégia que preocupa analistas e governos ocidentais. O uso de drones a jato pela Rússia aumentou cerca de seis vezes ao longo de três meses neste verão, segundo dados ucranianos. A Ucrânia, que desenvolveu meios baratos de interceptação voltados aos modelos mais lentos, enfrenta agora dificuldade de acompanhar a velocidade e a quantidade dos novos projéteis. Rob Jordan, do centro de estudos RUSI, em Londres, observa que o esforço de construção demonstra confiança de Moscou na eficácia de ataques de longo alcance, possivelmente em detrimento de investimentos em forças terrestres convencionais. O Ministério da Defesa russo ainda não se pronunciou sobre a instalação.
A questão transcende a fronteira entre os dois países e é vista como risco para toda a aliança militar da Otan. Monnik alerta que a combinação entre produção em massa, tecnologia em evolução e a falta de sistemas de defesa compatíveis em muitos países europeus cria uma vulnerabilidade estratégica. A tensão já havia crescido nas últimas semanas: governos europeus acusam a Rússia de intensificar sabotagens e ataques cibernéticos, e Moscou advertiu que poderia empregar armas nucleares caso a aliança tentasse isolar o enclave de Kaliningrado. Enquanto isso, a Ucrânia espera que os bombardeios se intensifiquem ainda mais com a chegada do inverno, ao mesmo tempo em que busca soluções para neutralizar os drones que suas defesas atuais não conseguem abater.
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