Real Madrid defende liberdade de opinião após Mbappé e Vini Jr. esconderem mensagem sobre Ceuta
há 15 horas
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Divulgação/Real Madrid
O Real Madrid defendeu o direito de seus jogadores terem opiniões diferentes depois que os atacantes Kylian Mbappé e Vinícius Júnior esconderam uma mensagem de solidariedade à população de Ceuta antes da partida contra o Elche, na terça-feira (15), pela LaLiga.
As duas equipes entraram em campo usando camisetas com a frase “Todos somos caballas” — “Somos todos caballas”, em tradução livre. “Caballas” é um apelido utilizado para se referir aos moradores de Ceuta, território espanhol localizado no norte da África.
Antes do início da partida, Mbappé e Vini Jr. levantaram as camisetas até a altura do peito, deixando a frase ilegível. Em seguida, os dois retiraram as peças antes de deixarem o túnel de acesso ao gramado. O companheiro Ibrahima Konaté também não exibiu a mensagem: ele segurou a camiseta nas mãos, sem deixá-la visível de forma clara.
A manifestação de solidariedade ocorreu após a entrada de mais de 70 mil pessoas de forma irregular em Ceuta vindas do Marrocos em julho, episódio que provocou manifestações de apoio à população do território em diferentes partes da Espanha.
Real Madrid diz respeitar decisão individual
Um dirigente do Real Madrid afirmou à Reuters que o clube havia aceitado o pedido do Elche para participar da manifestação e vestir as camisetas. Ao mesmo tempo, segundo o dirigente, o clube decidiu respeitar a liberdade individual dos jogadores para escolher se usariam ou não a peça.
A posição é de que o Real Madrid, como instituição, poderia aderir à iniciativa de solidariedade, mas não obrigaria seus atletas a demonstrar publicamente a mesma posição.
O clube já havia demonstrado apoio a Ceuta na semana anterior. Durante a partida contra a Inter de Milão, pela Liga dos Campeões, a torcida organizada do Real Madrid exibiu um mosaico com cartazes que formavam a bandeira do território espanhol.
A iniciativa das camisetas foi promovida pela Associação Empresarial Valenciana e contou com a participação de diferentes clubes espanhóis. O Barcelona, por sua vez, decidiu não utilizar as peças na partida contra o Levante, no domingo (13).
Jogador marroquino é criticado
A campanha também provocou repercussão envolvendo o atacante marroquino Ez Abde, do Real Betis. Na segunda-feira, o jogador recebeu comentários ofensivos nas redes sociais depois de vestir a camiseta em apoio a Ceuta antes da partida contra o Villarreal.
Abde respondeu por meio de um comunicado e afirmou que não pediria desculpas por ter usado a peça. Segundo o jogador, a mensagem representava apoio a uma comunidade e a uma causa social, e não uma manifestação política.
Ceuta pertence à Espanha, mas está localizada no norte da África e faz fronteira com o Marrocos. A localização do território contribui para a dimensão simbólica da campanha e para a repercussão provocada pela iniciativa entre jogadores, clubes e torcedores.
O episódio envolvendo Mbappé, Vini Jr. e Konaté ocorreu antes da partida entre Elche e Real Madrid, enquanto outros atletas decidiram manter a mensagem visível. O Real Madrid, por sua vez, afirmou que respeita a decisão individual de seus jogadores sobre a participação na manifestação.
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