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Rússia diz que manterá laços com a Sérvia após derrota eleitoral de Vucic; Kremlin espera continuidade da cooperação energética

há 5 horas
2 min de leitura

Reprodução
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O Kremlin reagiu oficialmente à vitória do movimento estudantil nas eleições parlamentares da Sérvia, que derrotou o partido de Aleksandar Vucic — figura dominante na política sérvia desde 2014 e aliado próximo de Moscou. O porta-voz presidencial Dmitry Peskov prestou homenagem ao líder que perdeu, destacando sua contribuição pessoal para as relações bilaterais, e declarou que a Rússia pretende manter e aprofundar os vínculos com Belgrado independentemente da mudança de governo. A derrota insere-se num padrão preocupante para a diplomacia russa: ocorre apenas seis meses após a perda de outro aliado de longa data, Viktor Orbán, na Hungria.

Vucic visitou Moscou com frequência e manteve a Sérvia afastada das sanções impostas pela União Europeia à Rússia em razão da guerra na Ucrânia, mesmo enquanto perseguia o objetivo de integrar o bloco europeu. Essa postura dupla — candidatura à UE sem romper com Moscou — garantiu ao país acesso contínuo a energia russa e posição de interlocução privilegiada. Peskov fez questão de enfatizar que a cooperação, especialmente no setor energético, traz benefícios diretos à população sérvia e atende aos próprios interesses nacionais do país, não sendo favor concedido por Moscou.

Dirigindo-se aos novos governantes que surgem do movimento apoiado por estudantes, o representante russo expressou esperança de que a postura seja construtiva e de continuidade. "Esperamos que essas novas forças políticas compreendam que a cooperação com a Rússia é do interesse da Sérvia", afirmou. Admitindo que o resultado eleitoral traz incerteza, acrescentou com prudência: "Da nossa parte, faremos todo o possível para desenvolver as relações, mas é preciso dois para dançar um tango" — ou seja, a continuidade dependerá também de como Belgrado conduzirá a política externa daqui para frente.

A Sérvia encontra-se num ponto de inflexão: celebrações tomaram as ruas após a vitória da oposição, mas ainda não está claro quais rumos o novo governo dará às relações com Moscou e com Bruxelas. A manutenção de laços econômicos, políticos e militares com a Rússia não é apenas questão de preferência ideológica — envolve fornecimento de gás, investimentos e equilíbrio geopolítico na região dos Bálcãs. Como o próprio Peskov reconheceu, o futuro da parceria agora dependerá da disposição dos novos dirigentes em preservar acordos que, até aqui, serviam de pilar para a posição internacional do país.

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