Pesquisas indicam que Netanyahu não deve conquistar maioria nas eleições parlamentares de Israel
há 1 hora
3 min de leitura
As últimas pesquisas eleitorais em Israel indicam que o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não deve alcançar a maioria necessária para formar o próximo governo nas eleições parlamentares desta terça-feira (27). Os levantamentos também mostram que seu principal adversário, Gadi Eisenkot, enfrenta dificuldades para reunir sozinho os votos necessários para assumir o comando do país.
A votação será realizada para renovar o Parlamento israelense, conhecido como Knesset, que possui 120 cadeiras. Para garantir maioria, um bloco precisa conquistar pelo menos 61 assentos. As projeções divulgadas antes do pleito apontam que as negociações entre partidos poderão ser decisivas para definir quem governará Israel.
Pesquisas colocam Netanyahu abaixo da maioria
Uma pesquisa do Channel 13 News projeta que a coalizão de Netanyahu conquistaria 50 cadeiras, abaixo das 64 que possui atualmente. O bloco formado por partidos de direita, centro e esquerda ligados à oposição, liderado por Eisenkot, alcançaria 54 assentos. Os dois principais partidos árabes, juntos, ficariam com 16 cadeiras.
O levantamento do Channel 12 apresenta um cenário semelhante: 50 assentos para o bloco de Netanyahu e 56 para o grupo de oposição. Nesse caso, os partidos árabes conquistariam 14 cadeiras.
Já a pesquisa do Kan 11 News estima que os aliados do primeiro-ministro também ficariam com 50 assentos. O bloco de Eisenkot teria 52, enquanto os partidos árabes somariam 14 cadeiras. Uma legenda menor, voltada a reservistas militares e a questões econômicas, obteria quatro assentos, sem declarar apoio a nenhum dos dois grupos.
Nas três pesquisas, o Likud, partido de Netanyahu, aparece com uma projeção de 19 a 21 cadeiras. O Yashar, legenda de Eisenkot, teria entre 22 e 23 assentos.
Os números indicam que, mesmo que o bloco de oposição termine à frente dos aliados do primeiro-ministro, isso não garante automaticamente a formação de um novo governo. A composição das alianças parlamentares será fundamental para determinar quem conseguirá reunir apoio suficiente.
Uma pesquisa apresenta cenário diferente
Entre os principais levantamentos, o Channel 14 apresenta uma projeção bastante diferente das demais. A pesquisa prevê que Netanyahu e seus aliados conquistem 62 cadeiras, alcançando a maioria necessária para governar. Eisenkot e seu bloco ficariam com 44 assentos.
O canal é amplamente considerado alinhado ao primeiro-ministro e tem divulgado pesquisas que apontam uma vitória mais confortável para ele. O resultado contrasta com as projeções dos outros grandes veículos, que colocam a coalizão governista abaixo do limite de 61 cadeiras.
A divergência entre os levantamentos evidencia a incerteza que antecede a votação. Por lei, os institutos de pesquisa estão proibidos de divulgar novas sondagens até o encerramento das urnas, previsto para as 22h de terça-feira, no horário local. Nesse momento, os principais veículos deverão divulgar pesquisas de boca de urna.
Eleições podem definir o futuro político de Netanyahu
A votação é considerada um teste importante para Netanyahu, que busca permanecer no poder após anos marcados por conflitos militares e críticas à condução da segurança nacional.
Os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos em Israel e desencadearam a guerra na Faixa de Gaza, continuam no centro do debate político. O governo também enfrenta questionamentos sobre falhas de segurança, a condução dos conflitos regionais e a necessidade de uma investigação sobre os acontecimentos.
Além da guerra, temas como custo de vida, serviço militar obrigatório para judeus ultraortodoxos e a relação entre o governo e o Judiciário influenciam a disputa eleitoral.
Netanyahu aposta na continuidade de sua política de segurança e no argumento de que sua permanência no cargo é necessária para enfrentar ameaças externas. A oposição, por sua vez, procura responsabilizar o governo por falhas e contestar suas decisões.
Mesmo que os resultados confirmem a dificuldade de Netanyahu para formar maioria, sua eventual saída não significaria necessariamente o fim da influência política de seu partido ou das forças de direita no país.
O resultado também poderá afetar as relações internacionais de Israel, incluindo sua atuação nos conflitos regionais e suas relações diplomáticas com outros países.
Comentários