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Netanyahu recorre a discurso de medo às vésperas das eleições em Israel; imagem de bomba atômica sobre Tel Aviv gera críticas

há 4 horas
2 min de leitura

Reprodução
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A menos de 48 horas das eleições legislativas de Israel, marcadas para esta terça-feira (27), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu intensificou uma campanha baseada no alerta de perigo iminente, publicando inclusive uma imagem gerada por inteligência artificial que mostra uma bomba atômica caindo sobre Tel Aviv. Na postagem, ele reiterou que um Irã com capacidade nuclear representa "ameaça existencial real e tangível" ao Estado judeu — discurso que contraria declarações feitas pelo próprio líder meses antes, quando afirmou que a ameaça havia sido "eliminada" e perduraria por gerações.

A contradição foi rapidamente apontada por opositores. Em junho de 2025, ao fim de operação de 12 dias contra o Irã, Netanyahu declarou que Israel havia neutralizado as capacidades nucleares e de mísseis balísticos iranianos; em março de 2026, após ataques conjuntos com os Estados Unidos, reforçou que Teerã já não poderia ameaçar a existência de Israel. Agora, recorrendo a fala do comentarista Yuval Bloomberg, sugere que catástrofe pode estar próxima. Gadi Eisenkot, principal adversário, classificou a estratégia como "vídeo para assustar" e acusou o premiê de espalhar mentiras e medo após não cumprir promessas de segurança. Yair Golan, líder do partido Democratas, avaliou que o governo "perdeu o controle".

A campanha de Netanyahu também foi abalada por declarações sobre economia. Em entrevista ao Canal 10, ele defendeu preparar Israel para sanções internacionais e citou criptomoedas e tecnologia blockchain como alternativas para contornar restrições financeiras. A proposta provocou reação rara do Banco de Israel, que emitiu comunicado público rejeitando a ideia: "As criptomoedas não podem servir como meio de contornar sanções". Economistas e opositores criticaram fortemente a sugestão, apelidada de "BibiCoin" por Eisenkot, que classificou-a como ameaça à segurança nacional e ao futuro econômico do país.

O líder da oposição, Yair Lapid, avaliou que Netanyahu "perdeu completamente o rumo" e alertou que a reeleição de seu governo pode levar à suspensão da ajuda militar dos Estados Unidos e a sanções severas. O clima de tensão eleitoral reflete divisões profundas: enquanto o premiê tenta se manter no poder associando sua permanência à sobrevivência do país, concorrentes acusam-no de fabricar perigos e fragilizar instituições para ganhar votos. A resposta dos eleitores às urnas definirá não apenas o governo, mas o rumo de Israel nos próximos anos.

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