Movimento estudantil vence eleição na Sérvia e encerra domínio de Vucic; país celebra mas desafios são imensos
há 4 horas
2 min de leitura
Reprodução
A Sérvia acordou nesta segunda-feira (26) com uma nova era política: o movimento liderado por estudantes derrotou Aleksandar Vucic, que governava o país desde 2014 — primeiro como primeiro-ministro e depois como presidente. A vitória eleitoral foi confirmada pelo próprio Vucic em pronunciamento: "A Lista dos Estudantes venceu, terá entre 135 e 140 cadeiras, e nós teremos 105. Nenhum outro partido entrou no Parlamento". O resultado pôs fim a quase dois anos de manifestações crescentes, desencadeadas originalmente pela morte de 16 pessoas no desabamento de uma estação ferroviária em Novi Sad, em 2024 — tragédia que aprofundou a indignação popular contra corrupção e avanço autoritário.
O movimento, que nasceu nas ruas e nas universidades, transformou-se em força política majoritária sem nomes consolidados expostos à frente. Analistas como Aleksandar Zivotic destacam tratar-se de "uma geração completamente nova que atingiu a maturidade", trazendo ideias renovadas em meio a uma crise política mais ampla na Europa. A vitória na Sérvia ecoa a derrota de Viktor Orbán na Hungria, em abril deste ano, e pode servir de referência para outros grupos jovens que reivindicam renovação em seus países. O clima de celebração tomou as ruas de Belgrado, com fogos de artifício e multidões aclamando a mudança histórica.
Ainda não há nomes oficiais anunciados para liderar o novo governo, e essa indefinição é um dos primeiros desafios. Zivotic prevê que a gestão terá "escopo limitado", com foco claro em combate à corrupção e reforma do Estado — temas que uniram os manifestantes. Também é possível que novas eleições sejam convocadas assim que a estrutura institucional for reorganizada e aliados do antigo governo forem afastados. Enquanto isso, a expectativa externa acompanha a postura do novo parlamento diante de questões sensíveis: a aproximação com a União Europeia e a manutenção de laços com a Rússia, tradicionalmente fortalecidos durante a gestão de Vucic.
A eleição havia sido convocada antecipadamente pelo próprio Vucic, em setembro, na esperança de renovar seu mandato antes que a oposição se consolidasse. A estratégia saiu pela culatra: o movimento estudantil ampliou apoio de forma contínua, transformando insatisfação generalizada em maioria parlamentar. O cenário agora é de entusiasmo misto com incerteza — a mudança é histórica, mas governar exigirá transformar energia de protesto em políticas concretas, sem perder a confiança de quem depositou esperanças na renovação.
Comentários