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Sete meses após enchentes, 50 mil toneladas de lixo ainda não foram levadas para aterros no RS; veja imagens

  • 16 de dez. de 2024
  • 3 min de leitura
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A enchente de maio em Porto Alegre resultou na geração de cerca de 180 mil toneladas de resíduos espalhados pela cidade. Passados mais de sete meses desde a tragédia, aproximadamente 50 mil toneladas ainda aguardam envio para aterros sanitários, segundo informações do Departamento Municipal de Lixo Urbano (DMLU). Para realizar a limpeza, foram mobilizadas cerca de 4 mil pessoas, com um custo de R$ 200 milhões. Embora grande parte dos resíduos tenha sido encaminhada para aterros, uma parte permanece em um bota-espera localizado no bairro Sarandi. No local, há restos de lonas, telhas, móveis, objetos plásticos e outros materiais não identificáveis.

Os bota-esperas são áreas próximas às regiões afetadas pelas enchentes, definidas pela prefeitura como locais temporários para armazenar resíduos até que sejam transportados aos aterros. No auge da crise, nove bota-esperas foram instalados pela cidade, mas atualmente apenas o do bairro Sarandi ainda está em operação.

Os resíduos desse local serão levados para aterros situados em Minas do Leão e Santo Antônio da Patrulha, ambos a aproximadamente 90 km de Porto Alegre. Na segunda-feira (9), a prefeitura anunciou que a empresa MCT Transportes venceu o chamamento público para transportar os resíduos a Santo Antônio da Patrulha. A empresa terá 75 dias para executar o serviço, e o contrato é válido por 120 dias.

Além do desafio da limpeza, a cidade também enfrenta dificuldades na reconstrução de infraestruturas e no suporte às famílias que ficaram desabrigadas. As enchentes trouxeram impactos severos a outras localidades do Rio Grande do Sul, afetando milhares de pessoas e causando prejuízos econômicos e ambientais significativos.
O trabalho de limpeza começou em 6 de maio, ainda durante a enchente, que resultou em 183 mortes e deixou 27 pessoas desaparecidas em todo o estado.

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Impactos no bairro Sarandi
Com a instalação do bota-espera, o cenário no bairro Sarandi se transformou. Lúcia Ribeiro, que trabalha na região, mencionou as mudanças no ambiente, especialmente o odor desagradável. "Tem dias que (o cheiro) tá bem forte, agora tem dias que é fraquinho. Quando começa a chover dá aquele cheiro que precisamos fechar as janelas aqui", relatou. Segundo ela, antes da enchente, o local "era limpo, não tinha esse cheiro".

Outro problema é o aumento de moscas, conforme descreveu Juliana Magnus, educadora que vive na área. "A gente gosta de abrir as portas e as janelas para entrar um ar, mas não estamos abrindo porque a quantidade de moscas é muito grande mesmo", comentou.

Avaliações sobre os bota-esperas
O professor Felipe Viegas, da Escola Politécnica da PUCRS, destacou que o uso dos bota-esperas foi uma estratégia emergencial necessária para restabelecer a acessibilidade da cidade. Contudo, ele avalia que o prazo de sete meses para remover 75% do lixo gerado é excessivo. "Acho que seis meses para ter retirado apenas 75% do lixo gerado, me parece muita, muita demora, uma demora excessiva", disse.

Por outro lado, o DMLU defende que não houve atraso na destinação dos resíduos e afirma que os resíduos armazenados nos bota-esperas ainda não apresentam sinais de degradação. "O DMLU tem feito a destinação final adequada, conforme a orientação e regramento dos órgãos ambientais e de controle", afirmou Carlos Alberto Hundertmarker, diretor-geral do órgão.

Fernando Jorge Corrêa Magalhães Filho, professor adjunto de Saneamento Ambiental no Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH/UFRGS), explicou que os resíduos classificados como de classe II, armazenados no bota-espera, são considerados não perigosos. Contudo, ele alerta que mesmo resíduos dessa classe podem apresentar algum risco de contaminação.
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Investimentos na limpeza
A limpeza de Porto Alegre envolveu um investimento de R$ 200 milhões, incluindo a higienização de calçadas, substituição de bueiros e pintura de meio-fio. O DMLU estima que 4 mil pessoas participaram da operação, entre garis, operários, engenheiros e técnicos, além de trabalhadores terceirizados. O órgão também atua no recolhimento de materiais descartados por moradores e empresas, mesmo meses após a tragédia.

Além disso, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) removeu 23 mil m³ de resíduos de canais de água ao longo dos últimos seis meses, sendo a maior parte dragada na Zona Norte, que inclui o bairro Sarandi.
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Manual de limpeza pós-enchentes
Como resposta à tragédia, a prefeitura criou o Escritório de Reconstrução, que funcionará até dezembro de 2024, com o objetivo de diagnosticar impactos ambientais, reconstruir infraestruturas e gerenciar recursos financeiros. A experiência acumulada será transformada em um manual para orientar ações de limpeza em situações semelhantes. "Tudo isso vai se transformar num manual de limpeza de uma cidade pós-enchente", afirmou Hundertmarker.

Para o professor Felipe Viegas, a reconstrução exige planejamento, prazos claros e transparência, permitindo que tanto a comunidade técnica quanto a população possam acompanhar as ações. "É preciso transparência também para que até a própria comunidade técnica e a população possam fazer uma avaliação", finalizou.

Fonte: g1

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Gazeta de Varginha

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