Sul de Minas avança em projeto de terras-raras com investimento de US$ 10 milhões
gazetadevarginhasi
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As chamadas terras-raras ganharam papel central nas disputas econômicas e tecnológicas globais. Essenciais para a produção de celulares, carros elétricos, turbinas eólicas, baterias, equipamentos médicos e tecnologias de defesa, esses minerais são estratégicos para países que buscam reduzir a dependência de poucos fornecedores — especialmente da China, que concentra a maior parte da produção mundial.
Nesse cenário, o Sul de Minas passou a chamar atenção. O Complexo Alcalino de Poços de Caldas é considerado uma das áreas mais promissoras do Brasil para ocorrência de terras-raras em argilas iônicas, modelo semelhante ao explorado em projetos internacionais.
A Cabo Verde Mineração anunciou investimento de cerca de US$ 10 milhões nos próximos dois anos para concluir a fase de pesquisa mineral e implantar uma planta-piloto de processamento, etapa fundamental para avaliar a viabilidade técnica e econômica do projeto.
Durante os estudos, a empresa identificou um novo alvo, o Alvo Botelhos, no município de Botelhos, onde já iniciou sondagens por trado mecânico. Além dele, mantém outros três alvos principais: Caconde — com perfurações em andamento —, Campestre e Cabo Verde/Muzambinho, que aguardam sondagens. O conjunto das áreas pode ultrapassar 500 milhões de toneladas de argilas iônicas mineralizadas com terras-raras. Apenas em Caconde, a estimativa preliminar aponta cerca de 100 milhões de toneladas.
Desde o fim de 2023, a empresa já investiu aproximadamente R$ 7 milhões em pesquisas e negocia a entrada de investidores internacionais da Ásia, União Europeia e Canadá. Segundo o CEO Túlio Rivadávia Amaral, o primeiro acordo pode ser fechado nos próximos meses.
Paralelamente, a mineradora retomou em janeiro a produção de minério de ferro na mina Catumbi, entre Cabo Verde e Muzambinho. A extração de lump e sinter feed, com teor entre 64% e 66%, ajuda a financiar os projetos.
Embora ainda em fase inicial, a exploração de terras-raras pode gerar investimentos, empregos qualificados e aumento de arrecadação no Sul de Minas. Especialistas ressaltam que o avanço depende de estudos de viabilidade, licenciamento e rigor ambiental antes de qualquer produção em larga escala.