Tensão entre André Mendonça e diretor-geral da PF segue sem perspectiva de acordo
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Foto: José Cruz/Agência Brasil
Apesar das tentativas de mediação feitas pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e pelo ministro da Justiça, Wellington César, a tensão entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, continua elevada e sem sinais de distensão.
Segundo interlocutores dos dois lados, Andrei Rodrigues não demonstrou interesse em ampliar o diálogo com Mendonça. O ministro, por sua vez, também não indica disposição para ceder diante das reclamações do diretor-geral da PF sobre supostas tentativas de interferência na condução de investigações.
Mendonça concentra sob sua relatoria alguns dos inquéritos de maior repercussão política e eleitoral. Entre eles está a investigação sobre as fraudes nos descontos do INSS, além de duas das três novas apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha: o caso relacionado ao Banco Master e o inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A cúpula da Polícia Federal reclama de interferência na condução das investigações. Já o gabinete de Mendonça aponta demora da corporação no andamento de algumas apurações, entre elas o inquérito que cita Lulinha.
No início de agosto, Jorge Messias articulou uma reunião com Mendonça e Wellington César para tentar reduzir a tensão. O encontro ocorreu no dia 6, e o ministro da Justiça se colocou à disposição para atuar como interlocutor junto à Polícia Federal.
Durante a conversa, surgiu a possibilidade de incluir Andrei Rodrigues em uma próxima reunião. Mendonça não se opôs à ideia, mas o encontro entre o ministro do STF e o diretor-geral da PF continua sem previsão concreta para acontecer.
A tentativa de mediação ocorreu depois de a própria Polícia Federal procurar a Advocacia-Geral da União (AGU) para questionar uma determinação de Mendonça na investigação sobre as fraudes nos descontos do INSS. A corporação pediu que a AGU buscasse uma medida judicial para contestar a decisão do ministro.
Mendonça havia determinado que todos os atos da investigação fossem imediatamente incorporados ao processo que tramita em seu gabinete. O ministro também reclama da demora da PF no avanço do inquérito que cita Lulinha e da troca na coordenação da equipe responsável pela apuração.
No início do ano, o STF autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha. Ele é apontado na investigação como suposto sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
O conflito aumentou quando a Polícia Federal pediu a abertura de três inquéritos envolvendo Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas ao Ministério da Saúde, à Dataprev e a outros órgãos do governo federal. Segundo a PF, as novas investigações tiveram origem na apuração sobre as irregularidades nos descontos do INSS, mas não possuem relação direta com esse caso.
Uma ala do STF interpretou o pedido como uma tentativa de afastar Mendonça das investigações envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O sorteio eletrônico da Corte, porém, encaminhou para o gabinete do ministro os inquéritos relacionados ao Ministério da Saúde e à Dataprev.
Além dessas apurações, Mendonça também é relator da investigação sobre o Banco Master e do inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse”. O caso ganhou repercussão após a divulgação de um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção do filme.
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