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Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay pedem aos EUA que excluam produtos brasileiros de novas tarifas

  • há 23 horas
  • 3 min de leitura
Reprodução
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Grandes empresas dos Estados Unidos encaminharam ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pedidos para que produtos brasileiros sejam poupados das tarifas adicionais estudadas pelo governo americano no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301. Entre as companhias que se manifestaram estão Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay, que afirmam que a medida poderá prejudicar cadeias de suprimentos, elevar custos e afetar consumidores e empresas norte-americanas.

As manifestações foram enviadas em 1º de julho e vieram a público com o início das audiências promovidas pelo USTR para discutir a proposta de ampliação das tarifas sobre produtos brasileiros. O órgão é responsável por formular a política comercial dos Estados Unidos e conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano, podendo recomendar medidas como a aplicação de sobretaxas. Além da tarifa de 12,5% já prevista, a proposta em discussão inclui uma cobrança adicional de 25% sobre produtos brasileiros sob a alegação de que determinadas práticas do governo brasileiro restringem ou oneram o comércio com os EUA.

Nos documentos enviados ao governo americano, as empresas sustentam que a adoção das novas tarifas traria impactos negativos para a competitividade da indústria dos Estados Unidos, dificultaria o funcionamento das cadeias globais de fornecimento e resultaria em aumento de custos para consumidores americanos.

A Tesla solicitou que insumos industriais importados do Brasil sejam isentos das novas tarifas. A fabricante de veículos elétricos afirmou que investe bilhões de dólares para ampliar a produção doméstica e diversificar sua cadeia de fornecedores, mas ressaltou que determinados materiais estratégicos utilizados em setores como veículos elétricos, robótica e baterias ainda não podem ser produzidos nos Estados Unidos com a escala e a qualidade necessárias. Por isso, argumenta que a transição para fornecedores nacionais demanda tempo e que a taxação desses insumos afetaria sua competitividade.

A Nestlé pediu que a lista de produtos isentos seja ampliada para incluir o café instantâneo não aromatizado, conhecido como café solúvel, e o colágeno bovino importados do Brasil. A companhia também contestou preocupações relacionadas ao desmatamento, afirmando que, até o fim de 2025, 96,7% de suas cadeias de fornecimento de commodities primárias já haviam sido avaliadas como livres de desmatamento, incluindo operações no Brasil.

A Coca-Cola solicitou que seja mantida a isenção já prevista para o suco de laranja brasileiro e pediu que o limão e seus derivados também sejam incluídos entre os produtos livres das novas tarifas ou, alternativamente, que seja estabelecido um período de transição. A empresa justificou o pedido citando a redução da produção desses insumos nos Estados Unidos em razão de doenças que afetam plantações e da ocorrência de pragas, o que aumenta a dependência das importações brasileiras.

Já o eBay defendeu que o USTR estabeleça uma isenção específica para produtos usados e seminovos comercializados pela plataforma. Segundo a empresa, exigir a comprovação da origem de mercadorias de segunda mão seria operacionalmente inviável em muitos casos, já que uma parcela significativa desses itens chega ao mercado sem etiquetas de fabricação. A companhia argumenta que a exigência elevaria custos burocráticos e dificultaria a atuação de pequenos comerciantes e da própria alfândega americana.

De acordo com as empresas, a aplicação das tarifas sobre produtos brasileiros acabaria produzindo efeitos imediatos dentro da própria economia dos Estados Unidos, elevando custos de produção, encarecendo produtos para os consumidores e reduzindo a eficiência das cadeias de abastecimento que dependem de matérias-primas e insumos provenientes do Brasil.

Gazeta de Varginha

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