Transferências de Lula e Paulo Okamotto para Lulinha somaram R$ 873 mil, apontam dados de quebra de sigilo
5 de mar.
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Registros bancários obtidos por meio de quebra de sigilo apontam que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o dirigente petista Paulo Okamotto realizaram transferências que somam R$ 873 mil para Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. As informações constam de dados financeiros analisados no contexto das investigações que envolvem contas do filho do presidente.
De acordo com os registros, Lula transferiu R$ 721,3 mil ao filho por meio de três operações bancárias. Duas dessas transações ocorreram em 27 de dezembro de 2023, nos valores de R$ 244,8 mil e R$ 92,4 mil.
Outra transferência feita pelo presidente foi registrada em 22 de julho de 2022, quando R$ 384 mil foram depositados para Lulinha. Os depósitos partiram de uma conta de Lula mantida em uma agência do Banco do Brasil localizada em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo.
No mesmo dia 22 de julho de 2022, o petista Paulo Okamotto, que na época ocupava o cargo de presidente da Fundação Perseu Abramo, entidade vinculada ao Partido dos Trabalhadores, também realizou uma transferência para Lulinha. O valor enviado foi de R$ 152.488,39, e o registro da operação aparece acompanhado da anotação “Depósito cheque BB liquidado”. Okamotto também exerce a função de diretor no Instituto Lula.
Os documentos analisados não indicam qual teria sido a motivação para as transferências.
Após receber parte desses recursos, Lulinha realizou aplicações financeiras. Dois dias depois do depósito de R$ 384 mil, em 25 de julho de 2022, ele investiu R$ 386 mil no fundo BB Renda Fixa Longo Prazo High, administrado pelo Banco do Brasil. Esse tipo de fundo é voltado para aplicações em títulos públicos e privados, com objetivo de rentabilidade superior ao CDI.
Antes da transferência realizada por Lula naquele período, a conta bancária utilizada por Lulinha apresentava saldo de R$ 12.031,92. Após o recebimento do valor e a aplicação financeira realizada no fundo, o saldo remanescente ficou em R$ 10.199,12.
Situação semelhante ocorreu com as operações realizadas em dezembro de 2023. Antes das transferências feitas por Lula e Okamotto, o saldo da conta era de R$ 5.196,55. Após a entrada dos recursos, que somaram R$ 489 mil, Lulinha aplicou R$ 299,2 mil em fundos de investimento do Banco do Brasil.
Entre os produtos escolhidos para investimento estavam novamente o BB Renda Fixa Longo Prazo High e também o BB Referenciado DI Plus Estilo, ambos fundos de renda fixa administrados pela instituição financeira.
Depois dessas operações, o Banco do Brasil debitou pouco menos de R$ 180 mil da conta de Lulinha a título de “taxa de custódia”, o que fez com que o saldo bancário passasse a registrar aproximadamente R$ 2 mil negativos.
As informações fazem parte da quebra de sigilo de uma das contas bancárias do filho do presidente. Segundo os dados analisados, Lulinha movimentou cerca de R$ 19,3 milhões nessa conta entre os anos de 2022 e 2025.
Aliados de Lulinha afirmaram à imprensa que parte dos valores movimentados na conta teria origem em herança.
Nos últimos dias, a defesa de Lulinha também declarou que ele nega qualquer envolvimento com o chamado “Careca do INSS” ou com descontos indevidos em aposentadorias. Segundo os advogados, o filho do presidente prestará esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF), instância considerada competente para tratar da investigação.
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