Trump tenta conter alta dos combustíveis nos EUA, mas ataques ligados ao Irã dificultam medidas do governo
há 25 minutos
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta dificuldades para conter a alta dos preços dos combustíveis em meio à continuidade da guerra envolvendo o Irã. As tentativas do governo de ampliar a oferta de petróleo e diesel esbarram no aumento dos ataques a embarcações e à infraestrutura energética no Oriente Médio, que voltou a pressionar os mercados internacionais.
A situação também representa um desafio político para Trump e o Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para 3 de novembro. A inflação voltou a acelerar nos Estados Unidos, e o aumento do custo de vida tem provocado insatisfação entre consumidores.
Para tentar reduzir a pressão sobre os preços, o governo norte-americano adotou medidas voltadas à circulação de petróleo e à importação de combustíveis. No entanto, a reação do Irã e de grupos aliados, como os houthis, ameaça comprometer os resultados dessas iniciativas.
Inflação e combustíveis pressionam o governo
Os dados de inflação divulgados em 14 de outubro mostraram que os preços ao consumidor subiram mais do que o esperado em setembro, impulsionados principalmente pelos custos de energia.
A gasolina ficou 9,1% mais cara ao longo do mês e encerrou setembro com alta superior a 34% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o óleo combustível registrou aumento de 15,3% em setembro e acumulou elevação superior a 74% em 12 meses.
O encarecimento da energia também pode afetar outros setores da economia. Empresas que dependem de transporte, combustíveis e eletricidade enfrentam custos maiores, que podem ser repassados aos consumidores.
Segundo uma estimativa da Moody’s Analytics citada na reportagem, o conflito envolvendo o Irã representa um gasto adicional de aproximadamente US$ 2 mil para uma família americana média.
Outro ponto de preocupação é a retomada da alta dos custos de habitação e aluguel, que havia apresentado sinais de desaceleração nos meses anteriores. O setor de serviços também registrou avanço de 0,4% em setembro, indicando que a pressão inflacionária não está restrita aos combustíveis.
Embora a economia americana continue demonstrando atividade e os consumidores mantenham os gastos, a inflação mais elevada pressiona as taxas de juros e encarece o crédito, dificultando o acesso à moradia e a outros bens e serviços.
Estreito de Ormuz volta a ser um ponto crítico
Uma das principais dificuldades para o governo Trump está no Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica para o transporte mundial de petróleo.
Há mais de um mês, a Marinha dos Estados Unidos realiza uma operação de alto risco para escoltar navios-tanque que transportam petróleo pelo Golfo Pérsico em direção à saída do estreito.
A iniciativa busca manter o fluxo de petróleo para os mercados internacionais, mas os ataques recentes elevaram novamente os riscos para a navegação comercial.
Segundo a empresa de monitoramento marítimo Kpler, pelo menos 18 embarcações no Oriente Médio e nas áreas próximas foram atacadas nas duas semanas anteriores à publicação da reportagem.
Após uma recuperação registrada em setembro, o tráfego de petróleo e combustíveis pelo Estreito de Ormuz caiu, nos sete dias mais recentes analisados, para cerca de 54% dos níveis anteriores à guerra.
A redução da circulação de navios dificulta a normalização da oferta e aumenta a preocupação dos compradores. Como o petróleo é negociado em um mercado internacional, interrupções em rotas estratégicas podem elevar os preços mesmo em países que não participam diretamente do conflito.
Irã e houthis intensificam a pressão
O Irã e grupos aliados, incluindo os houthis, passaram a representar obstáculos adicionais às tentativas americanas de estabilizar o abastecimento.
Na terça-feira, 13 de outubro, os houthis teriam atingido a sede da Saudi Aramco, a gigante estatal de petróleo da Arábia Saudita. Os ataques contra instalações energéticas e rotas marítimas ampliaram a tensão regional.
A Arábia Saudita também enfrenta ameaças à sua infraestrutura de transporte de petróleo. Um ataque anterior contra o oleoduto Leste-Oeste, considerado estratégico para o escoamento da produção saudita, provocou preocupação, embora os danos tenham sido descritos como reparáveis.
O analista Matt Smith, da Kpler, avaliou que o Irã pode estar tentando manter os preços do petróleo elevados antes das eleições legislativas americanas, intensificando ataques diretamente e por meio de grupos aliados.
Já Dan Pickering, fundador e diretor de investimentos da Pickering Energy Partners, afirmou que a divulgação, pelos Estados Unidos, do sucesso das operações para ampliar o fluxo de petróleo pode acabar estimulando novas ações contra as rotas de abastecimento.
A situação deixa o mercado diante de um cenário incerto. Mesmo quando os Estados Unidos conseguem ampliar o transporte de petróleo, novos ataques podem reduzir a circulação de navios e anular parte dos resultados alcançados.
Trump recorre a medidas para ampliar a oferta
Além da operação naval, Trump anunciou na semana anterior um acordo controverso para suspender temporariamente algumas sanções contra a Rússia, com o objetivo de permitir a importação de uma quantidade adicional de diesel.
A medida busca aliviar a oferta de combustíveis refinados, especialmente em um momento de pressão sobre o diesel, utilizado no transporte de mercadorias, na agricultura e em diversas atividades industriais.
O governo também procura alternativas para manter o fluxo de petróleo e derivados, mas enfrenta dificuldades para compensar os efeitos da guerra e das restrições logísticas.
As medidas têm alcance limitado diante da dimensão dos problemas. A oferta internacional depende não apenas da quantidade de petróleo disponível, mas também da capacidade de refiná-lo, transportá-lo e entregá-lo aos compradores.
Ataques a navios, instalações petrolíferas e refinarias podem comprometer diferentes etapas dessa cadeia e prolongar a pressão sobre os preços.
Eleições aumentam a pressão política
A escalada dos combustíveis ocorre em um momento delicado para Trump. As eleições legislativas de 3 de novembro definirão a composição do Congresso americano, e a inflação é uma das principais preocupações dos eleitores.
O presidente já afirmou que os preços mais altos da gasolina são um custo necessário para manter os Estados Unidos e o mundo seguros diante da ameaça representada pelo Irã. Ao mesmo tempo, o governo procura medidas capazes de aliviar os gastos das famílias.
A insatisfação com o custo de vida preocupa os republicanos, especialmente porque os aumentos atingem diretamente motoristas, agricultores, caminhoneiros e moradores de regiões onde o uso de veículos é indispensável.
Embora Trump tenha buscado alternativas para ampliar a oferta de combustíveis, a evolução dos preços depende também do andamento do conflito e da segurança das principais rotas de transporte.
O cenário permanece incerto: os Estados Unidos podem encontrar novas formas de aumentar o fornecimento de diesel e petróleo, mas a continuidade dos ataques no Oriente Médio dificulta a estabilização do mercado. Por enquanto, os consumidores americanos continuam enfrentando os efeitos da alta dos combustíveis e da inflação.
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