Túmulos recebem apenas números enquanto Ceuta tenta identificar vítimas de tragédia
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A cidade espanhola de Ceuta começou a sepultar os primeiros imigrantes que morreram durante a chegada em massa ocorrida no fim de julho. Dezoito corpos foram enterrados na sexta-feira (21), no cemitério muçulmano de Sidi Embarek. Como a identidade das vítimas ainda não foi confirmada, os túmulos receberam apenas números.
Os sepultamentos fazem parte do processo adotado pelas autoridades locais diante da dificuldade para identificar os mortos. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, apenas uma parte das vítimas foi identificada até o momento, enquanto os demais corpos permanecem sem nome. As equipes continuam realizando trabalhos para tentar estabelecer a identidade dos imigrantes e localizar seus familiares.
A tragédia aconteceu nos dias 30 e 31 de julho, quando uma grande quantidade de pessoas tentou entrar em Ceuta a partir do Marrocos. De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades espanholas, 82 pessoas morreram durante o episódio. A maioria das mortes ocorreu em meio à tentativa de atravessar a fronteira e chegar ao território espanhol.
Os primeiros 18 corpos foram sepultados seguindo os ritos islâmicos, com a participação de líderes religiosos muçulmanos. Os procedimentos foram realizados no cemitério de Sidi Embarek, onde os túmulos foram identificados numericamente para manter a possibilidade de identificação posterior.
As autoridades espanholas realizaram autópsias e coletaram impressões digitais e amostras de DNA dos mortos. As informações também foram compartilhadas com autoridades marroquinas, enquanto familiares que procuram desaparecidos podem fornecer material genético para auxiliar nas identificações.
A identificação das vítimas tem sido dificultada pela falta de documentação e de informações sobre muitos dos imigrantes. Antes dos sepultamentos, os corpos permaneceram em uma estrutura improvisada instalada em um antigo hospital militar de Ceuta, enquanto equipes forenses trabalhavam para reunir dados que pudessem levar aos nomes das vítimas.
As autoridades locais afirmaram que os sepultamentos deverão continuar nos próximos dias, à medida que os procedimentos necessários forem concluídos. Caso algum corpo seja posteriormente identificado e um familiar solicite a transferência, existe a possibilidade de autorização para a exumação e repatriação.
Além da situação dos mortos, Ceuta continua enfrentando os efeitos da chegada em massa de imigrantes. Parte das pessoas que atravessaram a fronteira retornou ao Marrocos, mas milhares ainda permanecem no território espanhol, incluindo menores desacompanhados que estão sendo atendidos em estruturas de acolhimento.
O episódio deixou autoridades e equipes de emergência da cidade sobrecarregadas. O número de mortos superou em muito a capacidade habitual dos serviços forenses locais, que precisaram receber reforços de outras regiões da Espanha para realizar os procedimentos de identificação e atendimento às vítimas.
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