Uso de defensivos agrícolas cresce no Brasil, mas setor enfrenta pressão nos custos e margens menores
25 de mai.
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O uso de defensivos agrícolas voltou a crescer nas lavouras brasileiras em 2025, impulsionado principalmente pela expansão da área cultivada e pelo aumento da pressão de pragas e doenças no campo. Apesar disso, o avanço no consumo não se refletiu na mesma proporção no faturamento da indústria do setor.
Levantamento da Kynetec Brasil, encomendado pelo Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), aponta que a PAT (Área Potencial Tratada) cresceu 7,6% no país, ultrapassando a marca de 2,6 bilhões de hectares.
Mesmo com o aumento no uso de produtos, o valor das compras feitas pelos produtores rurais registrou alta de apenas 0,7% em dólares no ano fiscal, cenário influenciado pela queda nos preços médios dos defensivos.
Segundo o vice-presidente do Sindiveg, Julio Borges, houve um processo de “erosão de preços” ao longo do ano. De acordo com ele, o crescimento do volume utilizado não foi acompanhado por valorização equivalente dos produtos comercializados.
“Crescemos em área tratada e também em volume, mas sem aumento proporcional de preços, o que representa erosão do valor médio dos defensivos”, afirmou.
O executivo destacou ainda que a redução das margens no agronegócio também afeta diretamente a indústria de defensivos, especialmente em um contexto de aumento dos custos operacionais e dificuldade de repasse ao mercado.
Outro fator de preocupação é o impacto da guerra no Oriente Médio sobre insumos agrícolas. Borges afirmou que o conflito chegou a triplicar o preço de alguns fertilizantes utilizados no setor.
Segundo ele, ao menos 30 ingredientes ativos registraram aumentos entre 20% e 40% após a escalada das tensões internacionais, com destaque para o glifosato, amplamente utilizado na agricultura brasileira.
O dirigente afirmou que parte desses aumentos ainda não foi totalmente repassada aos produtores devido ao uso de estoques antigos, mas os novos volumes comercializados já devem refletir reajustes maiores.
O cenário econômico do agronegócio também preocupa. O primeiro trimestre de 2026 foi marcado pelo avanço dos pedidos de recuperação judicial no setor, além de margens mais apertadas e dificuldades de acesso ao crédito.
Segundo Borges, empresas ligadas ao setor têm buscado ampliar operações financeiras junto aos bancos para posteriormente disponibilizar crédito aos produtores rurais diante da restrição observada no mercado tradicional.
Além disso, os índices de inadimplência seguem em alta. Dados apresentados pelo executivo indicam que a inadimplência no segmento dobrou entre 2024 e 2025 e, no primeiro trimestre de 2026, permaneceu em nível semelhante ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Na avaliação do Sindiveg, o cenário pode se tornar ainda mais desafiador ao longo do ano devido à combinação entre queda do dólar, custos elevados de fertilizantes e combustíveis e manutenção dos juros em patamares altos, fatores que seguem pressionando a rentabilidade do produtor rural.
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