Varginha lidera preocupação ambiental, mas engajamento político ainda é baixo, aponta Unifal
19 de mar.
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Uma pesquisa abrangente coordenada pela Universidade Federal de Alfenas traçou o perfil socioambiental dos moradores de Varginha e Poços de Caldas. O levantamento foi realizado presencialmente entre agosto e dezembro de 2025, com a participação de 400 pessoas em cada município, seguindo critérios estratificados por sexo, idade e escolaridade com base no Censo 2022, o que garante um nível de confiança de 95%.
Os resultados mostram que a preocupação com a crise climática é elevada nas duas cidades, mas o engajamento político local ainda ocorre de forma limitada. Mais de 75% dos entrevistados afirmaram estar preocupados ou muito preocupados com questões ambientais, incluindo a preservação da Floresta Amazônica. A percepção de impacto direto também é significativa: 82% dos moradores de Poços de Caldas e 83% dos de Varginha acreditam que o aquecimento global pode afetar negativamente suas vidas e de suas famílias.
A influência das mudanças climáticas também é percebida no custo de vida. Em Poços de Caldas, 63% dos entrevistados associam o aumento dos preços dos alimentos a esses fenômenos, enquanto em Varginha esse percentual chega a 68,3%. Além disso, a maioria demonstra disposição para adotar práticas de consumo consciente, já que 86,2% dos moradores de Poços e 75,3% dos de Varginha afirmaram que deixariam de comprar produtos oriundos de áreas desmatadas na Amazônia.
O levantamento também evidencia o interesse crescente por hábitos alimentares mais sustentáveis. Atualmente, 62,5% dos entrevistados em Poços de Caldas consomem alimentos orgânicos ou agroecológicos, enquanto em Varginha o índice é de 69,8%. O desejo de ampliar esse consumo é predominante, com 81,25% dos moradores de Poços e 77% dos de Varginha manifestando essa intenção. No entanto, a dificuldade de acesso e o preço elevado aparecem como principais barreiras. Em Poços de Caldas, 87% consideram os produtos difíceis de encontrar e 82% avaliam os preços como altos. Em Varginha, 72,4% apontam a disponibilidade como obstáculo e 61,6% destacam o custo.
No âmbito doméstico, o engajamento ambiental é expressivo. Mais de 90% dos entrevistados afirmaram economizar água e mais de 80% realizam a separação de resíduos para reciclagem. O cultivo de plantas em casa também é uma prática comum, presente em cerca de 75% das residências. Já na esfera pública, a participação é mais restrita. Embora aproximadamente metade dos entrevistados declare considerar propostas ambientais na hora do voto e compartilhar conteúdos sobre o tema, menos de 7% participam de audiências públicas ou manifestações relacionadas ao meio ambiente.
Os resultados completos serão apresentados em um evento público no dia 31 de março de 2026, no campus da Universidade Federal de Alfenas em Varginha. A iniciativa pretende promover a discussão dos microdados com a comunidade. Entre os temas previstos estão o comportamento pró-ambiental de mulheres e idosos, que apresentaram os maiores níveis de preocupação, além da análise do cultivo doméstico como ferramenta de educação ambiental e promoção da segurança alimentar.
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