Vídeo mostra PM e marido levando filha à escola no horário em que ela disse estar amarrada
há 2 horas
3 min de leitura
Reprodução
Imagens de câmeras de segurança mostram a policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o marido, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, levando a filha para a escola na manhã de terça-feira (11), no Ceará. O horário registrado pelas câmeras coincide com o período em que Júlia afirmou, em depoimento, ter sido retirada de um veículo, amarrada e mantida sob restrição após a abordagem que terminou com a morte do soldado Raphael Sampaio da Silva.
Raphael foi encontrado carbonizado dentro de um carro incendiado em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. Júlia e o soldado pertenciam ao mesmo batalhão da Polícia Militar. Segundo a versão apresentada pela policial, ela e Raphael teriam sido surpreendidos por pessoas não identificadas. Ela relatou que foi retirada do veículo, teve as mãos presas e foi colocada no compartimento de bagagem. Mais tarde, segundo seu depoimento, conseguiu deixar o local e foi encontrada na manhã de terça-feira em uma área de Aquiraz, com as mãos amarradas por uma corda.
As novas imagens passaram a ser analisadas na investigação porque mostram Júlia acompanhada do marido no período em que ela declarou estar amarrada. Outro registro de câmera, instalado em uma oficina mecânica, também teria flagrado a policial durante a manhã usando as mesmas roupas com as quais foi localizada posteriormente. Uma testemunha afirmou ainda ter visto Júlia naquele período vestindo as mesmas roupas.
Durante o depoimento, Júlia foi questionada sobre a troca de roupas e afirmou não se lembrar de quando teria retirado a farda da Polícia Militar e colocado as vestimentas usadas posteriormente. De acordo com a versão apresentada por ela, as roupas teriam sido deixadas por pessoas que não identificou. A policial também preferiu não responder, naquele momento, quando foi perguntada sobre o momento em que teria sido amarrada e se havia encontrado ou mantido contato com o marido na manhã de terça-feira. Ela disse que prestaria esclarecimentos sobre esses pontos durante o processo, acompanhada de seu advogado.
Júlia e Antoneudo estão presos e são investigados por possível envolvimento na morte de Raphael Sampaio. Na audiência de custódia realizada na quinta-feira (13), a prisão de Júlia foi convertida em preventiva após pedido do Ministério Público e da autoridade policial. No caso de Antoneudo, a prisão em flagrante foi relaxada, mas ele continuou detido em razão de um mandado de prisão relacionado a outro processo que tramita sob segredo de Justiça.
O casal também já era investigado em outro procedimento, iniciado em junho de 2025 pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos. A apuração começou após uma denúncia de uma empresa de transporte por aplicativo e investigava a criação e utilização de perfis falsos. Segundo a Polícia Civil, o grupo teria 13 integrantes. Antoneudo chegou a ser preso em setembro de 2025 e foi indiciado por suspeitas de organização criminosa, uso de identidade falsa, lavagem de dinheiro e fraude eletrônica. Júlia também foi indiciada por suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A morte de Raphael Sampaio ocorreu na manhã de terça-feira (11), quando o soldado foi localizado sem vida dentro de um automóvel incendiado no bairro Ancuri, em uma área próxima à divisa entre Fortaleza e Itaitinga. O militar tinha 27 anos e havia ingressado na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022. Ele estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar. A investigação busca esclarecer a dinâmica do homicídio e identificar os responsáveis pela morte do policial.
Comentários