Zelensky reúne-se com Burnham em Londres em meio a divergência com EUA; Reino Unido promete novo pacote de mísseis terra-ar e rejeita acordo com Moscou sobre diesel
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chegou ao Reino Unido nesta quarta-feira (14) para encontro com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, em Londres. A viagem ocorre num momento de fragilidade nas relações com Washington e de busca de reforço diplomático e militar junto a parceiros europeus. Burnham reafirmou que o suporte à Ucrânia é essencial também para a segurança do próprio povo britânico e anunciou a entrega de um novo pacote de mísseis terra-ar. O governo britânico manifestou publicamente que não endossa o acordo firmado pelos Estados Unidos com a Rússia e pediu aos demais aliados que mantenham as restrições econômicas sobre Moscou, criando assim uma posição diferenciada em relação à postura adotada pela administração Trump.
O desencontro entre Kiev e Washington aprofundou-se nas últimas semanas. Enviados do presidente americano informaram autoridades ucranianas em reunião realizada em Miami que o entendimento sobre o diesel russo faz parte de uma estratégia para reconduzir a Rússia à mesa de negociações, após tentativas anteriores de diálogo não terem prosperado. Segundo relatos de três pessoas com conhecimento direto do encontro, o assessor presidencial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, disseram que Vladimir Putin não demonstrava disposição de negociar o fim da guerra, já em seu quinto ano, e que a medida comercial poderia funcionar como um sinal de abertura. A ideia seria que, com a liberação das exportações e a suspensão dos ataques ucranianos a instalações de combustível, Moscou se sentiria estimulada a fazer concessões em seguida.
O acordo prevê o fornecimento de mais de 2,25 milhões de barris de diesel russo para os mercados dos Estados Unidos e para o mercado global, o que provocou críticas dentro do próprio Congresso americano. Legisladores argumentam que o fluxo de recursos para os cofres de Moscou será usado para financiar a continuidade da guerra, sem que haja qualquer compromisso russo de avançar rumo à paz. Trump defende publicamente a medida como vantajosa para o consumidor americano, argumentando que reduzirá os preços de energia — tema sensível nas eleições de meio de mandato que definirão o controle do Legislativo. O presidente também pediu repetidamente que a Ucrânia cesse os bombardeios a refinarias russas, alegando que esses ataques elevam os custos globais dos combustíveis, embora a maioria dos especialistas atribua a alta dos preços principalmente ao conflito entre Estados Unidos e Irã.
A fragilidade da iniciativa ficou evidente logo em seguida: no domingo (11), Trump anunciou uma trégua energética entre Rússia e Ucrânia, mas nenhum dos dois lados confirmou formalmente o cessar-fogo. Na segunda-feira (12), a Rússia voltou a atacar alvos do setor de energia dentro da Ucrânia, demonstrando que os bombardeios prosseguem. Enquanto isso, o próprio Trump declarou que Zelensky deveria ser substituído na liderança do país. O Reino Unido, por sua vez, mantém-se ao lado de Kiev e reafirma que as garantias de segurança para a Ucrânia seguem em pauta. A embaixada russa em Washington e o gabinete presidencial ucraniano não responderam de imediato aos pedidos de comentário, e uma fonte próxima ao Kremlin classificou o acordo do diesel como um primeiro passo para trazer a Rússia de volta às negociações, sem dar detalhes sobre o que viria a seguir.
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