“É mais fácil alimentar conflitos do que pessoas”, diz papa em Roma
23 de jun.
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Divulgação/Durante visita ao Programa Mundial de Alimentos, em Roma, papa Leão XIV fez apelo por cooperação internacional e criticou a desigualdade no acesso a alimentos e serviços básicos.
Papa Leão XIV critica fome global e afirma que é “mais fácil alimentar conflitos do que pessoas” durante visita ao PAM em Roma.
Em sua primeira visita à sede do Programa Mundial de Alimentos (PAM), em Roma, nesta segunda-feira (22), o papa Leão XIV fez um forte apelo à comunidade internacional para o fortalecimento do multilateralismo e o combate às desigualdades no acesso a recursos básicos como água, alimento e saúde.
O pontífice destacou que esses direitos não devem ser subordinados a interesses de mercado ou disputas geopolíticas, defendendo uma renovada aliança entre as nações no enfrentamento da fome e da desnutrição.
Durante o discurso, Leão XIV ressaltou que o cenário global atual é marcado por conflitos prolongados, insegurança alimentar e vulnerabilidade climática, agravados pela fragmentação da ordem internacional e pela crise do sistema multilateral.
Segundo ele, o mundo vive um paradoxo em que há capacidade produtiva sem precedentes, mas também uma expansão de áreas de extrema vulnerabilidade social. “As mesmas forças que alimentam o crescimento econômico muitas vezes agravam a exclusão e a marginalização”, afirmou.
O papa também criticou o que classificou como “burocratização da solidariedade” e “mercantilização da vida humana”, apontando que o acesso a bens essenciais tem sido condicionado por fatores econômicos e estratégicos.
Em tom de alerta, afirmou que “é mais fácil alimentar conflitos do que pessoas”, citando como entraves à ajuda humanitária decisões políticas complexas, barreiras burocráticas e interesses ideológicos.
Leão XIV defendeu ainda a redução da burocracia e o fortalecimento da cooperação internacional, destacando que instituições como o PAM desempenham papel essencial ao evitar o agravamento de crises humanitárias.
Ao final, reforçou que água, alimento e saúde devem ser tratados como direitos humanos fundamentais e que a dignidade humana deve ser o centro das políticas globais.
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