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Acordo entre Argentina e EUA em minerais críticos altera cenário global e pressiona Brasil

  • gazetadevarginhasi
  • há 5 horas
  • 2 min de leitura

Reprodução
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Um acordo assinado em 4 de fevereiro de 2026 entre a Argentina e os Estados Unidos para cooperação no setor de minerais críticos estratégicos representa uma mudança significativa no mercado global desses insumos e impõe novos desafios ao Brasil, segundo análise publicada pelo colunista Pedro Côrtes no blog da CNN Brasil.

O entendimento firmado entre Buenos Aires e Washington não é visto como um gesto diplomático isolado ou meramente protocolar, mas sim como um movimento focalizado na segurança econômica e nas cadeias de suprimentos globais de minerais críticos, transformando a questão desses recursos em um componente geopolítico estratégico.

De acordo com o texto, para os Estados Unidos o objetivo declarado é reforçar cadeias que hoje estão majoritariamente concentradas na China, buscando parceiros capazes de fortalecer a produção, o processamento e a confiabilidade desses materiais essenciais para a indústria tecnológica e a transição energética.

Para o Brasil, a consequência desse novo equilíbrio é clara: embora o país detenha riqueza geológica importante, a vantagem competitiva passa a ser determinada não apenas pela presença de reservas, mas pela capacidade de transformar essas reservas em projetos financiáveis e com previsibilidade regulatória — ou seja, com etapas de processamento local integradas.

No caso de minerais como terras raras, o Brasil contém reservas estimadas em dezenas de milhões de toneladas em equivalentes de óxidos, mas ainda não opera uma cadeia completa de separação e manufatura, fase em que a China consolidou seu domínio histórico.

O acordo entre Argentina e EUA também vem em um momento em que Washington convoca outras nações para firmarem parcerias similares no setor de minerais críticos, convidando cerca de 55 países, incluindo o Brasil, para integrar uma iniciativa mais ampla de cooperação internacional com foco nesses insumos.

O Brasil possui ativos significativos em outros minerais críticos, como lítio — com reservas estimadas em centenas de milhares de toneladas de Li₂O — e grafite — com cerca de 166,8 milhões de toneladas em reservas, praticamente 40% do total mundial —, mas enfrenta desafios em agregar valor por meio de etapas de refino e manufatura, que são determinantes para atrair investimentos estratégicos.

Setores como o de cobre e nióbio ilustram tanto as oportunidades como as limitações brasileiras: o cobre combina produção significativa e exportações robustas, enquanto o nióbio mostra que agregar valor ao longo de uma cadeia produtiva pode posicionar melhor o país em mercados de maior valor agregado.

Segundo a análise, o novo acordo acelera uma tendência em que os minerais críticos deixam de ser uma pauta pura e simplesmente comercial para influenciar diretamente custo de capital, atração de investimentos de longo prazo (CAPEX) e posicionamento geopolítico internacional, exigindo dos países fornecedores maior capacidade de entregar soluções integradas.

Ao mesmo tempo, conforme divulgado em outras reportagens sobre o tema, esses movimentos ocorrem em meio a um esforço mais amplo dos EUA de reduzir a dependência da China — que domina boa parte da cadeia de processamento de minerais — e impulsionar alternativas com parceiros mais alinhados politicamente com Washington.

O resultado dessa dinâmica global deverá influenciar investimentos, políticas industriais e prioridades estratégicas no setor de minerais críticos em países exportadores como Argentina e Brasil, em um contexto de competição comercial e geopolítica que afeta diretamente a economia desses recursos no longo prazo.

Fonte: CNN

Gazeta de Varginha

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