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Advogado sequestrado pelo PCC pediu socorro a cliente durante tribunal do crime, mas não recebeu ajuda

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Reprodução
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O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, contou que chegou a pedir socorro a um de seus próprios clientes enquanto era mantido sequestrado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Cubatão, na Baixada Santista. Segundo o relato, o homem foi até o local onde o advogado estava sendo submetido a um chamado “tribunal do crime”, mas se recusou a interceder para impedir o sequestro.

O caso aconteceu em 11 de junho, quando Rafaell foi atraído para uma comunidade na Vila Esperança sob o pretexto de prestar um serviço jurídico. Ao chegar ao endereço, ele percebeu que havia caído em uma armadilha e foi levado para um barraco, onde permaneceu sob o domínio dos criminosos por cerca de seis horas.

No local, o advogado foi submetido a uma sessão do chamado “tribunal do crime”, com a participação de aproximadamente 30 pessoas presencialmente e outras por videochamada. Os criminosos queriam que ele abandonasse uma ação judicial e fornecesse o endereço de um cliente. Diante da recusa em entregar a informação, Rafaell passou a sofrer ameaças e tortura psicológica.

Durante o período em que esteve no cativeiro, o advogado conseguiu entrar em contato com o cliente José Armerindo Santos de Carvalho, conhecido como Boqueta, para pedir ajuda. Segundo Rafaell, o homem foi até o local, mas não interveio para impedir que ele permanecesse sob o poder dos criminosos. Depois de ser libertado, o advogado decidiu romper a relação profissional e renunciar à defesa de Boqueta.

Rafaell havia defendido Boqueta em processos relacionados a porte ilegal de arma e em ações contra o Estado. O advogado também explicou que a situação que levou ao sequestro começou com uma disputa judicial envolvendo uma empresa de pesca no Guarujá. A ação havia sido apresentada em defesa de clientes que afirmavam ter sido retirados da sociedade por um homem apontado pelas investigações como integrante do PCC.

Os criminosos queriam que Rafaell desistisse do processo e entregasse informações sobre seu cliente. Durante o cárcere, eles também tomaram o celular do advogado e o obrigaram a desbloquear o aparelho, passando a acessar seu conteúdo. Após horas de ameaças e pressão psicológica, Rafaell concordou em abandonar a ação para conseguir sair vivo do local.

Depois de ser libertado, porém, o advogado denunciou o caso ao Ministério Público. A denúncia deu origem à Operação Patrocínio Fiel, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Polícia Militar.

A operação foi realizada em 12 de agosto e teve como objetivo investigar os envolvidos no sequestro, além de preservar a integridade do advogado e reunir provas sobre os crimes. Foram expedidos mandados de prisão e de busca e apreensão em cidades da Baixada Santista e também em Florianópolis, em Santa Catarina.

Boqueta estava entre os alvos da operação e morreu durante um confronto com policiais militares em São Vicente. Segundo a Polícia Militar, ele resistiu à prisão e uma pistola calibre 9 mm foi apreendida. Outros suspeitos foram presos durante a ação, enquanto as investigações sobre a atuação do grupo criminoso continuam sob sigilo.

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Gazeta de Varginha

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