Amamentação como prioridade: programas e ações garantem saúde materno-infantil em Minas
- gazetadevarginhasi
- 29 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

Aleitamento materno: cuidado, proteção e saúde para mães e bebês em Minas Gerais.
O aleitamento materno é considerado um dos pilares da saúde pública, representando um ato de amor que protege a vida nos primeiros anos. Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) atua continuamente para apoiar mães e bebês, e na Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Belo Horizonte, que abrange 39 municípios, esse trabalho é reforçado por uma ampla rede de serviços.
O leite materno é o alimento mais completo para o recém-nascido, fornecendo nutrientes e anticorpos essenciais. Ele ajuda a prevenir doenças, reduz a mortalidade infantil e favorece o desenvolvimento saudável da criança. Os benefícios também se estendem à mãe, diminuindo o risco de câncer de mama e de ovário. Para estimular a prática, a SES-MG, em parceria com prefeituras, realiza a qualificação de profissionais de saúde e fortalece os Bancos de Leite Humano.
O Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os 2 anos de idade ou mais, sendo exclusiva nos seis primeiros meses. No entanto, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional indicam que, em 2023, 42% das crianças de 0 a 6 meses na SRS Belo Horizonte não estavam em aleitamento materno exclusivo. Para Letícia Rodrigues, referência técnica em Saúde Materno-Infantil da SRS, o número evidencia os desafios enfrentados na região.
A assistência à amamentação começa ainda no pré-natal, com orientações sobre cuidados com as mamas e técnicas de amamentação. Nas maternidades da rede pública, como a Maternidade Odete Valadares, o incentivo ao aleitamento materno é prioridade.
“Falar de aleitamento materno no contexto do SUS nos leva a duas estratégias importantes: a Iniciativa Hospital Amigo da Criança, selo do Ministério da Saúde conferido aos hospitais que seguem os 10 passos para o sucesso do aleitamento materno, e a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), que qualifica o trabalho dos profissionais da atenção primária à saúde, reforçando a amamentação”, explica Letícia Rodrigues.
O apoio se estende a bebês que necessitam de cuidados intensivos, por meio dos Postos de Coleta e Bancos de Leite Humano. O leite coletado é processado e distribuído gratuitamente, garantindo nutrição adequada a recém-nascidos internados, além de orientação especializada para mães. Na SRS Belo Horizonte, funcionam seis Postos de Coleta e quatro Bancos de Leite Humano.
Desafios e experiências na amamentação
O relato da fonoaudióloga Lira Amaral exemplifica os desafios e acolhimento na prática: “Vivi violência obstétrica no parto. Isso foi um divisor de águas. Minha especialidade era a geriatria, mas migrei para a assistência materno-infantil.” Estudos apontam que a violência obstétrica afeta entre 18,3% e 44,3% das mulheres no Brasil, e a pesquisa Nascer no Brasil revelou que 53,5% das mulheres que tiveram parto normal sofreram cortes no períneo, considerado violência obstétrica.
Contudo, Lira destaca que a experiência de amamentação foi acolhedora. Ela também observa desafios como a licença paternidade reduzida, que limita o suporte à mãe nos primeiros dias: “O primeiro mês é de adaptação. Uma licença paternidade ampliada aumenta em 30% a taxa de aleitamento”. Outro obstáculo apontado é a falta de profissionais capacitados em manejo da amamentação.
Lira orienta mães a buscar informações em fontes confiáveis, consultar profissionais especializados e realizar acompanhamento com pediatras gestacionais.
Rede de serviços para gestantes e crianças
O SUS oferece uma série de serviços voltados à saúde materno-infantil:
Pré-natal e acompanhamento nas UBSs: Consultas, exames, vacinação e orientações.
Atenção especializada: Atendimento para gestantes, puérperas e crianças de risco, com acesso a especialistas e exames.
Programa Filhos de Minas: Lançado em 2025, reduz a mortalidade materna e infantil, incentiva o pré-natal completo e distribui kits enxoval a gestantes em vulnerabilidade.
Rede de Atenção ao Parto e Nascimento: Hospitais como Odete Valadares, Sofia Feldman e Risoleta Neves oferecem atendimento humanizado para gestação, parto e cuidados neonatais.
Testes de triagem neonatal: Incluem Teste do Pezinho, da Orelhinha e do Olhinho.
Acompanhamento pediátrico e vacinação: Consultas de puericultura e acesso às vacinas do Calendário Nacional.
Linha de Cuidado Materno-Infantil: Orientações aos profissionais desde o planejamento reprodutivo até o primeiro ano de vida do bebê.


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