Anfíbio jurássico com língua “de camaleão” é revelado após 150 milhões de anos em Portugal
gazetadevarginhasi
há 5 dias
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Uma nova espécie de anfíbio que viveu durante o Período Jurássico foi identificada na região da Lourinhã, em Portugal. Batizada cientificamente de Nabia civiscientrix, a espécie foi descrita a partir de pequenos fósseis descobertos pelo paleontólogo Alexandre Guillaume. O estudo foi publicado no Journal of Systematic Palaeontology.
O material que permitiu a descrição do novo anfíbio foi encontrado com o apoio de um projeto de Ciência Cidadã, desenvolvido no Parque dos Dinossauros da Lourinhã e no Museu da Lourinhã. A iniciativa envolveu a participação do público na busca e identificação de fósseis, contribuindo diretamente para a pesquisa científica.
Segundo informações divulgadas pela CNN Portugal, a Nabia civiscientrix representa o anfíbio mais antigo conhecido do seu grupo já identificado em território português. O animal media menos de cinco centímetros de comprimento e apresentava um sistema de alimentação com língua balística, mecanismo semelhante ao observado em camaleões modernos.
A espécie viveu há cerca de 150 milhões de anos, durante o Jurássico — um período amplamente conhecido pela diversidade de dinossauros, mas ainda pouco documentado no que se refere a pequenos vertebrados que habitavam o mesmo ambiente. De acordo com Alexandre Guillaume, paleontólogo da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e do Museu da Lourinhã, esses animais desempenham um papel fundamental na compreensão dos ecossistemas da época.
Os fósseis mais bem preservados encontrados na Lourinhã foram enviados para o Reino Unido, onde passaram por exames de microtomografia computadorizada em Londres. As análises foram realizadas em colaboração com os professores Marc Jones, do Museu de História Natural de Londres, e Susan Evans, da University College London.
Guillaume destaca que, até recentemente, os estudos paleontológicos focavam principalmente em ossos mais facilmente reconhecíveis, uma vez que a falta de espécimes completos dificultava a identificação e comparação entre espécies. Como resultado, muitos ossos não eram ilustrados ou corretamente classificados.
Com a análise do novo material e a comparação com fósseis de outras partes do mundo, os investigadores propuseram um novo conjunto de dados morfológicos para futuras análises. Esse conjunto inclui características inéditas e atualizações de dados anteriores, representando um dos principais avanços científicos trazidos pelo estudo.
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