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Apostas online podem ter drenado até R$ 141 bilhões da economia do Brasil

  • há 15 minutos
  • 3 min de leitura
Apostas online podem ter drenado até R$ 141 bilhões da economia do Brasil
Divulgação/Um estudo estima que as apostas online tenham retirado entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da economia brasileira em 2025. O valor equivale a até 1,1% do PIB e poderia representar entre 40% e 50% de todo o crescimento econômico registrado no ano.
Bets podem ter retirado até R$ 141 bilhões da economia brasileira em 2025, aponta estudo.

As apostas online podem ter retirado entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da economia brasileira ao longo de 2025, segundo estudo do economista Guilherme Klein, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ao Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP).

O valor representa entre 0,9% e 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e corresponde a uma parcela significativa do crescimento econômico registrado no país no ano passado, que foi de 2,3%.

Segundo a análise, o montante movimentado pelas apostas representa entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia brasileira em 2025. O impacto estimado também seria aproximadamente cinco vezes maior que o efeito calculado para o chamado tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Em setembro de 2025, a Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda, havia estimado que as tarifas americanas provocariam uma redução de cerca de 0,2 ponto percentual no PIB brasileiro.

Diferença entre dinheiro apostado e valor recebido
O estudo considera principalmente a diferença entre o dinheiro colocado pelas famílias nas plataformas de apostas e o valor que retorna aos apostadores.

De acordo com Guilherme Klein, esse saldo tende a ser negativo para os jogadores porque, pela própria estrutura das apostas, o valor médio devolvido é inferior ao montante apostado.

A análise também considera o impacto sobre o consumo. Como as famílias de menor renda destinam uma parcela maior de seus recursos às despesas básicas, a retirada de dinheiro para apostas pode ter efeitos mais significativos sobre a atividade econômica.

No estudo, a faixa de menor renda considerada reúne pessoas com rendimento de até dois salários mínimos, equivalente a R$ 3.036 em 2025.

Impacto pode chegar a R$ 46 bilhões em arrecadação
O levantamento também calcula possíveis efeitos sobre a arrecadação tributária.
Considerando uma redução de 1% no PIB e uma carga tributária bruta próxima de 32,4% do PIB, a perda líquida de arrecadação provocada pelo impacto das apostas poderia ficar entre R$ 22 bilhões e R$ 46 bilhões.

Em contrapartida, as plataformas de apostas recolheram diretamente cerca de R$ 9 bilhões em impostos em 2025.

Segundo o pesquisador, parte importante do impacto ocorre por meio dos tributos indiretos que deixam de ser arrecadados quando os recursos deixam de ser destinados ao consumo de outros bens e serviços.

O estudo ressalta ainda que a estimativa não inclui possíveis gastos adicionais relacionados ao vício em apostas, como despesas na área da saúde.

Apostas também podem ampliar desigualdade
Outro ponto analisado é o impacto sobre a distribuição de renda.

No cenário considerado pelo estudo, as apostas poderiam elevar a concentração de renda entre os mais ricos em 0,5% a 2,1%, considerando os efeitos sobre os 99% da população que estão fora do grupo de maior renda.

A avaliação parte da diferença na capacidade de consumo e de poupança entre as faixas de renda e do impacto proporcionalmente maior das apostas sobre famílias com menor poder aquisitivo.

Outros levantamentos apontam impacto do setor
Outras pesquisas também apontaram efeitos relevantes das apostas sobre a economia brasileira.

Um levantamento do Comsefaz estimou uma transferência líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias para as plataformas de apostas em 2025.

Já a LCA Consultores calculou que o setor gera cerca de 15,5 mil empregos diretos e indiretos e pode movimentar até R$ 1 bilhão em renda por meio da massa salarial.

Em outro estudo, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou que o avanço da inadimplência severa retirou R$ 144 bilhões das vendas do comércio entre 2024 e 2025.

Para a entidade, o crescimento das apostas representa um risco para o orçamento das famílias ao desviar recursos que poderiam ser destinados ao consumo e ao comércio.
Fonte: BPMoney

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Gazeta de Varginha

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