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Astrônomos encontram sistema exoplanetário “invertido” que desafia modelos de formação planetária

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Reprodução
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Pesquisadores que estudam sistemas planetários além do Sistema Solar anunciaram a descoberta de um sistema exoplanetário com uma configuração inesperada que contraria as teorias tradicionais sobre a formação de planetas, segundo reportagem publicada em 12 de fevereiro de 2026. O sistema, identificado em torno da estrela anã vermelha LHS 1903, está localizado a cerca de 116 anos-luz da Terra e foi observado por meio de telescópios da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA), com dados adicionais de instrumentos terrestres e espaciais.

No sistema estudado, quatro planetas orbitam a estrela LHS 1903, mas o arranjo entre eles é considerado inusitado: o planeta mais interno é rochoso, os dois seguintes são classificados como gigantes gasosos e, surpreendentemente, o planeta mais externo também é rochoso — uma configuração que difere significativamente do padrão comum observado em nossa galáxia e no próprio Sistema Solar.

No Sistema Solar, os planetas rochosos — Mercúrio, Vênus, Terra e Marte — orbitam mais próximos do Sol, enquanto os gigantes gasosos — Júpiter, Saturno, Urano e Netuno — estão em órbitas mais distantes. A ordem típica é explicada pelas condições de formação em discos protoplanetários de gás e poeira ao redor de estrelas jovens, em que as temperaturas internas favorecem a agregação de materiais que resistem ao calor para formar planetas rochosos. Mais longe da estrela, além da chamada “linha de gelo”, compostos voláteis condensam e permitem a formação de núcleos massivos que capturam grandes quantidades de hidrogênio e hélio, originando planetas gasosos.

O planeta rochoso mais externo do sistema LHS 1903, classificado como uma “Super-Terra” — com raio cerca de 1,7 vezes o da Terra — é a principal anomalia observada, pois, pelas teorias convencionais, um planeta dessa natureza não deveria ter se formado em uma região tão distante de sua estrela.

Segundo os autores do artigo publicado na revista Science, liderados por Thomas Wilson, professor assistente de física da Universidade de Warwick, a explicação mais plausível envolve uma formação em ambientes diferentes para cada planeta, com o planeta mais externo tendo se formado posteriormente aos demais, quando já havia escassez de gás e poeira no disco protoplanetário. Esse processo, chamado de formação “com depleção de gás”, seria o oposto da sequência esperada, em que planetas se formariam de forma mais homogênea seguindo a proximidade à estrela.

Os pesquisadores testaram algumas hipóteses alternativas, incluindo cenários de impacto ou remoção de atmosfera por colisões, mas não conseguiram reproduzir a configuração observada por meio desses mecanismos. Após essas análises, eles concluíram que a formação sequencial sob condições de esgotamento de gás é a explicação mais plausível para a presença do planeta rochoso mais externo.

Especialistas externos, como Heather Knutson, professora do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), destacaram que o sistema LHS 1903 apresenta características intrigantes e pode fornecer informações valiosas sobre como pequenos planetas se formam e evoluem ao redor de estrelas diferentes do Sol. Observações futuras, especialmente com o Telescópio Espacial James Webb, podem permitir estudos mais detalhados das atmosferas desses mundos e ampliar o entendimento sobre os variados processos de formação planetária.

A descoberta representa um desafio para os modelos tradicionais de formação planetária, reforçando que ainda há questões em aberto sobre os mecanismos que geram a diversidade de sistemas planetários observados na galáxia.

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Gazeta de Varginha

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