Ataques aéreos de Israel matam pelo menos quatro palestinos na Faixa de Gaza; cessar-fogo de um ano segue ameaçado e negociações travadas
há 4 horas
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A violência voltou a escalar na Faixa de Gaza nesta segunda-feira (2). Ataques aéreos israelenses atingiram locais distintos do território: em Khan Younis, no sul, dois ataques separados deixaram dois mortos e seis feridos; em Al-Mussadar, uma pessoa foi morta; e no bairro de Tel Al-Hawa, na cidade de Gaza, um veículo foi atingido, deixando mais uma vítima fatal. O balanço oficial de autoridades de saúde chega a quatro mortos e vários feridos. O Exército de Israel confirmou os dois primeiros ataques, alegando ter mirado alvos de militantes, mas não comentou imediatamente o ataque ao veículo na capital.
A ofensiva ocorre num momento em que o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, completado há um ano, está cada vez mais frágil. Israel acusa o Hamas de retomar o rearmamento e planejar novos ataques — descumprindo os termos do acordo —, o que justifica a retomada de operações. O grupo palestino nega as acusações e, por sua vez, acusa Israel de minar o entendimento com ações militares contínuas. Desde que a trégua entrou em vigor, pelo menos 1.580 palestinos já morreram em ataques israelenses, segundo autoridades locais; Israel registrou a morte de quatro soldados no mesmo período.
As negociações sobre o futuro de Gaza encontram-se paralisadas. Os pontos centrais — desarmamento do Hamas e retirada das tropas israelenses — não tiveram avanço. Cerca de dois terços do território permanecem sob controle militar israelense, e a imensa maioria da população — mais de dois milhões de pessoas — está confinada ao terço restante, vivendo entre ruínas, em tendas improvisadas e edifícios parcialmente destruídos. A reconstrução prometida não saiu do papel, e a pressão humanitária sobre a população civil cresce a cada semana.
O conflito, iniciado em outubro de 2023 com o ataque do Hamas ao sul de Israel que deixou cerca de 1.200 mortos, já levou a mais de 74 mil óbitos registrados do lado palestino, segundo autoridades de saúde. A retomada de ataques aéreos neste mês levanta temores de que a trégua esteja se desfazendo aos poucos, sem que haja uma estrutura de paz substituindo-a. Enquanto negociadores não conseguem selar um acordo definitivo, cada explosão reabre feridas e aprofunda a convicção de que, para muitos, o fogo jamais se apagou de verdade.
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