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há 50 minutos
4 min de leitura

Clientes da Binance retiraram US$ 3,64 bilhões líquidos (aproximadamente R$ 19,7 bilhões) da plataforma em um intervalo de nove horas e meia, no domingo (1º), depois que a maior corretora de criptomoedas do mundo retomou parcialmente os saques. A movimentação ocorreu após um ataque hacker que resultou no roubo de aproximadamente US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34,2 bilhões) em ativos digitais.

Apesar da retirada expressiva, o episódio ainda não provocou uma fuga generalizada de investidores. O valor líquido retirado correspondeu a 2,1% dos ativos administrados pela empresa, percentual considerado relativamente limitado por analistas do mercado.

O movimento representa um primeiro teste da confiança dos clientes na corretora depois de um dos maiores roubos já registrados no setor financeiro. Embora parte dos investidores tenha optado por retirar seus recursos, outros afirmaram que pretendem continuar utilizando a plataforma.

Saques superaram depósitos em bilhões de dólares

Segundo os números divulgados pela Binance, aproximadamente US$ 4,6 bilhões foram retirados da plataforma no domingo, enquanto os depósitos somaram cerca de US$ 1 bilhão. A diferença resultou em uma saída líquida de US$ 3,64 bilhões.

A empresa afirmou que o volume de retiradas apresentou um pico inicial, mas começou a diminuir e a se estabilizar ao longo do dia. Em publicação na rede social X, a corretora também informou que os depósitos continuavam em níveis considerados expressivos.

A retomada dos serviços aconteceu de maneira gradual, depois que a empresa suspendeu temporariamente parte das operações para avaliar a segurança dos sistemas atingidos.

A Binance começou liberando saques de determinados ativos e redes, incluindo bitcoin, ether e algumas stablecoins vinculadas ao dólar. Posteriormente, outras operações foram restabelecidas, mas a retirada da maioria das criptomoedas ainda permanecia parcialmente limitada.

A co-CEO da empresa, Yi He, afirmou que a prioridade era garantir a segurança do ambiente antes de permitir que todos os usuários movimentassem seus recursos e que as operações fossem completamente normalizadas.

Ataque hacker provocou roubo de US$ 6,3 bilhões

O ataque aconteceu na noite de quinta-feira (29) e resultou no desvio de aproximadamente US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binance.

O FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, atribuiu a operação ao grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte. Empresas especializadas em análise de transações de criptomoedas também apontaram semelhanças com ataques anteriores relacionados a hackers norte-coreanos.

Segundo as investigações, os criminosos conseguiram movimentar os ativos digitais em diferentes redes de blockchain. O FBI informou que identificou operações de conversão dos valores roubados em ether e alertou para a possibilidade de novas tentativas de lavagem dos recursos por meio de serviços financeiros descentralizados e plataformas de troca instantânea.

A Binance descreveu a invasão como um ataque complexo, que teria envolvido o comprometimento de um computador e a utilização de programas maliciosos para dificultar a identificação das atividades dos invasores.

A empresa também informou que trabalhava com autoridades, especialistas em segurança digital, emissores de criptomoedas e outras corretoras para rastrear e recuperar os valores desviados.

Binance promete cobrir os prejuízos

Diante da dimensão do ataque, a corretora afirmou que assumiria integralmente o impacto financeiro do roubo, sem transferir as perdas aos clientes.

A empresa informou ter mobilizado aproximadamente US$ 6 bilhões para recompor os ativos, utilizando recursos próprios, reservas destinadas à proteção dos usuários e fundos de seguro.

Entre os mecanismos utilizados está o Secure Asset Fund for Users (SAFU), uma reserva criada para proteger os clientes em situações de emergência e incidentes de segurança. A Binance também recorreu ao fundo de seguro de operações futuras e ao próprio caixa corporativo.

A empresa declarou que já havia conseguido cobrir aproximadamente 95% do valor roubado. Os ativos restantes, equivalentes a cerca de 5% do total, são considerados menos líquidos e podem exigir mais tempo para serem adquiridos novamente nas quantidades necessárias.

A corretora também informou que pretendia recompor sua reserva de proteção aos usuários, que possui aproximadamente US$ 1 bilhão como referência.

Especialistas avaliam impacto sobre a confiança dos investidores

Apesar da saída de bilhões de dólares, especialistas avaliam que os números não indicam necessariamente um movimento generalizado de pânico.

Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, empresa de serviços financeiros especializada em ativos digitais com sede em Hong Kong, afirmou que o episódio ainda não provocou uma retirada concentrada e disseminada de recursos.

Entretanto, o especialista destacou que os efeitos sobre a confiança do mercado podem ultrapassar o valor efetivamente roubado. Segundo ele, as preocupações com a segurança podem influenciar as decisões de alocação de recursos de formadores de mercado, instituições financeiras e diferentes categorias de investidores.

A Binance afirma possuir mais de 335 milhões de usuários em todo o mundo e movimentar, em média, US$ 95 bilhões por dia em negociações de ativos digitais e derivativos.

Investidores não demonstram pressa para abandonar a plataforma

Mesmo diante do ataque, alguns operadores afirmaram que não pretendiam retirar imediatamente todos os recursos mantidos na corretora.

Jay Koh, vice-presidente da Asia Web3 AI Association, organização voltada à defesa da tecnologia blockchain com sede em Cingapura, afirmou que não retiraria necessariamente todo o dinheiro da Binance. Para ele, as corretoras centralizadas continuam desempenhando um papel importante na liquidez, nas negociações e no acesso ao mercado de criptomoedas.

Ryan Tan, usuário de 39 anos da plataforma, também disse que não tinha pressa para realizar novos saques. Ele explicou que já mantinha um saldo relativamente baixo na corretora desde o colapso da FTX, outra grande empresa do setor, ocorrido quatro anos antes.

Após a quebra daquela plataforma, Tan decidiu manter seus recursos em uma carteira própria, em vez de deixar todo o dinheiro sob custódia de corretoras.

Bitcoin e ether apresentam recuperação

No mercado de criptomoedas, os preços também começaram a apresentar sinais de recuperação depois das quedas registradas durante o período do ataque.

O bitcoin havia atingido na sexta-feira sua menor cotação em seis semanas, mas recuperou parte das perdas durante o fim de semana. Na segunda-feira (2), a moeda era negociada acima de US$ 78 mil.

O ether também apresentou recuperação depois de alcançar seu menor valor em dois meses.

Por outro lado, as capitalizações de mercado das stablecoins recuaram desde sexta-feira. Como esses ativos costumam funcionar como indicadores da movimentação de recursos dentro do mercado de criptomoedas, a queda pode sugerir que parte dos investidores transferiu dinheiro para moedas tradicionais ou outros ativos.

Enquanto isso, a Binance continuava restabelecendo gradualmente os serviços de retirada. A empresa afirmou que os testes de segurança nas redes e nos ativos restantes ainda estavam em andamento e que novas liberações seriam anunciadas conforme os sistemas fossem considerados seguros.

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