Eleições de meio de mandato nos EUA: eleitores renovam Câmara e terço do Senado; pleito é visto como referendo sobre gestão de Donald Trump
há 5 horas
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Na terça-feira (3), os Estados Unidos realizam as eleições de meio de mandato — conhecidas como midterms —, quando serão renovados todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 vagas no Senado, correspondentes a um terço da casa. O pleito é amplamente interpretado como um referendo sobre a administração de Donald Trump, que tem percorrido o país em comícios para tentar manter a maioria republicana no Congresso. O analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, resume: "Quanto mais insatisfeita a população, mais a oposição tende a conquistar espaço".
O sistema funciona de forma distinta nas duas casas. Cada estado elege dois senadores com mandatos de seis anos, renovados gradualmente; já na Câmara, os estados são divididos em distritos proporcionais à população — a Califórnia, a mais populosa, tem 52 representantes —, com mandatos de apenas dois anos. Atualmente, os republicanos comandam ambas as casas, mas as pesquisas indicam forte possibilidade de virada democrata na Câmara e risco também no Senado. Se a mudança ocorrer, Trump perderá capacidade de aprovar projetos e enfrentará obstáculos em áreas-chave.
A consequência mais imediata de uma vitória democrata seria o bloqueio da pauta presidencial. Além disso, a oposição poderia abrir investigações sobre a conduta de Trump — entre elas a decisão de atacar o Irã sem aval do Legislativo, políticas de imigração consideradas excessivas e suspeitas de enriquecimento do presidente e de membros de sua família. "Apenas no primeiro ano, Trump ficou US$ 2 bilhões mais rico, segundo a própria Casa Branca. Os democratas prometem investigar", detalha Martins. No Senado, maioria oposicionista também impediria nomeações para o Judiciário e agências reguladoras.
O fator que mais impulsiona a desconfiança eleitoral é o custo de vida, agravado pelos efeitos da guerra no Irã sobre os preços de combustível e energia. Trump enfrenta dificuldade inclusive em estados que venceu por larga margem há dois anos. Duas polêmicas marcam o processo: o gerrymandering, manipulação de mapas eleitorais que beneficia republicanos em sete estados e democratas em dois, e a disputa sobre o voto pelo correio — criticado por Trump sem provas de fraude, embora ele próprio o utilize. A votação antecipada já está em curso; num país onde o voto não é obrigatório, o comparecimento às urnas decidirá o futuro dos Estados Unidos — e o de Trump.
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